Foz do Iguaçu - A Carta de Declaração do 1º Fórum de Debates sobre Integração Fronteiriça, encerrado ontem em Foz do Iguaçu, traz propostas ousadas para harmonizar o comércio, trabalho e saúde na tríplice fronteira (Brasil, Paraguai e Argentina). O documento é fruto de dois dias de debates coordenados pela Comissão Parlamentar Conjunta do Mercosul.
Uma das principais indicações é integrar as cadeias produtivas dos países membros do Mercado Comum do Sul a partir de suas áreas fronteiriças. A medida possibilItaria criar empregos e obter melhor inserção dos produtos do bloco no mercado internacional.
''Exemplo concreto de tal iniciativa seria a proposta apresentada pela Associação das Indústrias de Arroz de uruguaiana, sobre a integração da produção do arroz colhido na Argentina, cuja secagem e armazenamento poderia ser feita no Brasil'', descreve o documento.
Uma das idéias mais inovadoras é a criação de identidade única para os cerca de 555 mil habitantes das três principais cidades da fronteira, o que facilitaria acesso ao trabalho, saúde e controle de viligância sanitária.
E reivindica ainda o ajuste de horários de funcionamento dos órgãos policiais e aduaneiros que atuam na Ponte da Amizade. Também pede o reconhecimento de câmaras de mediação e arbitragem e comissões de conciliação prévia para tratar de questões como relações trabalhistas.
O documento faz ressalvas às negociações da Área de Livre Comércio das Américas (Alca), destacando que o governo deve priorizar o fortalecimento do Mercosul. ''As soluções serão efetivas se pensadas a partir de uma perspectiva regional, compatibilizada com as proridades nacionais.''
O encontro reuniu empresários, embaixadores, representantes do Legislativo e Executivo, que prometem encaminhar as reivindicações a Brasília e defender a segunda edição do encontro, desta vez destinado a debater turismo, meio ambiente, educação e projetos de desenvolvimento.

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