Entre os muitos problemas que os usuários de planos de saúde enfrentam por causa da falta de uma lei que regulamente esse setor estão, principalmente, os relacionados com limitações quanto ao tempo de internação, não-cobertura de determinadas doenças e tratamentos, carências muito longas e reajustes das mensalidades por porcentuais muito elevados quando o associado muda de faixa etária.
São exatamente essas questões que mais têm causado polêmica quando o assunto é a regulamentação dos planos. As entidades de defesa do consumidor entendem que não podem existir obstáculos para que os conveniados tenham acesso à saúde. Já os grupos de assistência médica defendem a manutenção de alguns mecanismos como necessários para preservar a saúde financeira da empresa.
Especialistas na área de saúde salientam que, por conta disso, as propostas de regulamentação que surgiram até agora ou são muito radicais ou extremamente liberais. ‘‘Há muita divergência’’, diz o presidente da CRC Consultoria e Administração em Saúde, Vinincio Carlos Rossi. ‘‘E é preciso que a discussão em torno desse assunto seja feita com base em dados técnicos.’’ Ele cita o caso do reajuste por mudança de faixa. ‘‘Esses aumentos são necessários, porque os idosos utilizam os serviços com maior frequência, mas os índices muitas vezes são chutados.’’
O presidente da Abraspe (entidade que reúne as empresas que trabalham com o sistema de autogestão em saúde), Roberto Cury, concorda que é necessário definir regras para as questões mais polêmicas nos planos, mas salienta que, mais importante ainda, é deixar claros o funcionamento das empresas e como os planos podem ser comercializados. Ele se refere ao fato de que, no Brasil, existem mais de 1,5 mil empresas de assistência médica e muitos planos não atendem, efetivamente, às necessidades do consumidor, mas são vendidos como se tivessem essa característica.

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