Brasília - Na 25 reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), o chamado ''Conselhão'', realizada ontem no Palácio do Planalto, o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção Civil (CBIC), Paulo Simão, apresentou uma nova proposta de política de construção de moradias populares, voltadas à população que recebe até cinco salários mínimos por mês (R$ 2.075,00). Segundo ele, se esta nova política entrar em vigor no ano que vem, em 15 anos haverá redução do déficit habitacional para famílias que ganham até cinco salários, que hoje já é superior a oito milhões de moradias.
Segundo ele, os programas desenvolvidos desde a extinção do Banco Nacional de Habitação (BNH) e até 2006 não foram corretamente direcionados para o objetivo de erradicar o déficit de moradias. ''O atual Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), inova um pouco ao utilizar além dos recursos tradicionais do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), verbas do Orçamento Geral da União para financiar programas que visam substituir casas em palafitas'', afirmou.
Fecomércio
A Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio), afirmou hoje, em nota oficial, que o risco de um abalo, no mercado de crédito imobiliário brasileiro, nos moldes ao ocorrido com as hipotecas de altos risco (subprime) nos Estados Unidos, ''é praticamente inexistente por dois motivos: a diferença de magnitude do segmento imobiliário dos Estados Unidos e do Brasil e também o intervalo de tempo na liberação dos recursos''. A Fecomércio salienta que sua avaliação leva em conta as recentes medidas anunciadas pelo governo voltadas à concessão de crédito para este segmento.
A entidade projeta que em 2008 sejam destinados R$ 25 bilhões de crédito para o setor imobiliário, dos quais R$ 20 bilhões serão provenientes do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimos (SBPE) e R$ 5 bilhões de recursos livres de bancos, o que equivale a 2% ou 3% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. Em comparação, a Fecomercio ressaltou que mercado imobiliário americano para pessoas físicas movimenta cerca de US$ 10,7 trilhões, o equivalente a 80% do PIB daquele país.
A Fecomércio afirmou também que o setor financeiro nacional começou a esticar os prazos de financiamento e a reduzir os juros apenas a partir de 2006, enquanto que nos Estados Unidos isto ocorreu ao longo de toda década de 1980.
A entidade lembra ainda que atualmente, no Brasil, ''os prazos de financiamentos chegam até 360 meses, ou seja, 30 anos, com taxas fixas de juros de cerca de 9% ao ano. É um negócio inédito na economia, mas ainda há uma grande parcela da população que não foi atingida e isso cria um espaço razoável para que o mercado imobiliário, principalmente na Região Metropolitana de São Paulo, se mantenha aquecido no médio prazo''.

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