Agência Estado
De Montevidéu
A proposta do atual governo argentino para o regime comum automotivo do Mercosul, até agora rejeitada pelo Brasil, provocaria um ‘‘êxodo’’ de indústrias de autopeças para a Argentina. Embora os dois países tenham chegado a um consenso sobre o conteúdo regional, numa proporção de 60% de componentes produzidos no Mercosul e os restantes 40% importados de terceiros países, não houve acordo sobre o conteúdo nacional.
A Argentina propõe que, desses 60%, metade (30%) seja fabricada no país onde a montadora está instalada e a outra metade por qualquer um dos parceiros comerciais. O Brasil aceita apenas uma proporção de 23%, em média, e não por empresa, como os argentinos querem. ‘‘Essa diferença de 7 pontos porcentuais, embora pareça reduzida, é expressiva e representa um risco’’, disse o secretário de Política Industrial, Hélio Mattar.
Indagado sobre qual seria o risco, Mattar explicou que a Argentina não tem atualmente indústria de autopeças suficiente para bancar essa proporção de 30% de conteúdo nacional. ‘‘Isso significa que eles querem atrair empresas de autopeças do Brasil ou a transferência de produção do território brasileiro para o argentino’’, disse o secretário, que, ontem de manhã, ainda fazia contas com os assessores na mesa do hotel em Montevidéu.

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