Uma proposta da organização não governamental (ONG) Focus on Sabbatical, para criação de um fundo que pagaria a agricultores brasileiros US$ 165 para cada ha de soja que deixassem de plantar, teve reação imediata do presidente da Faep, Ágide Meneguette: ‘‘É no mínimo indecorosa’’, disse o líder da agropecuária ao ser entrevistado por este jornal.
A proposta da Focus on Sabbatical foi apresentada à Confederação Nacional da Agricultura, dias atrás. A ONG representa cerca de 2,5 mil produtores canadenses e 500 produtores norte-americanos. E, segundo fontes da CNA - que não endossa a idéia -, a proposta está mantida, sob o argumento de que o objetivo é evitar excesso de oferta no mercado de grãos oleaginosos, especialmente soja.
Ontem, na Redação desse jornal, foi a vez do empresário Stefan Stremlow se manifestar. Dono de Fazenda em Bela Vista do Paraíso, onde planta nesta safra cerca de 170 alqueires de soja, Stremlow, disse que a intenção da proposta da ONG sugere, no mínimo, uma reflexão dos agricultores e dos gestores da política agrícola do governo brasileiro.
Mas, independente do que há por traz disso, tal proposta não ‘‘pega’’ porque vai contra a cultura e índole do produtor brasieliro, que gosta de produzir. ‘‘Eu me sinto pessoalmente ofendido com essa proposta’’, resumiu. Para Stefan Stremlow, a proposta é uma forma de tirar do mercado um concorrente forte que é o agricultor brasileiro. ‘‘Você entra no projeto e, anos depois, termina o contrato e eles deixa de subsidiar; quando você quer retomar a produção, vai ver que a voalta à atividade não é tão fáicil. Com isso eles vão desestuurando a capacidade de produção brasileria’’ - presume o produtor Stremlow.
Mas esta é apenas uma das consequências. Para Stremlow, a decisão de deixar de produtir tem implicações macroeconômicas: dezenas de setores dependem direta ou indiretamente da agricultura para se manterem em atividade. O que vai acontecer com eles? - pergunta.
Propor ao agricultor brasileiro que deixe de produzir é algo complicado que transcede a análise do resultado imediato que, certamente, deve apontar uma boa vantagem em termos de receita. Uma proposta quase irresistível. Mas o agricultor é muito mais que isto, é alguém que gosta de trabalhar a terra, segundo Stremlow. Ele tem garra, é homem da terra e tem um vinculo com ela, por isso quer vê-la produzindo, distribuindo riquezas. Pela ótica do mercado internacional, a idéia da ONG expressa o tamanho da preocupação de outros países com relação à expansão da produção de grãos no Brasil.

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