Proposta para não plantar foi mal interpretada, diz produtor
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terça-feira, 19 de fevereiro de 2002
Oswaldo PetrinReportagem local 
O agrônomo Marcelo Favarão, presidente do Sindicato Rural de Campina da Lagoa, disse ontem que a proposta da organização não-governamental Focus on Sabbatical, ofertando pagamento adiantado para quem deixar de plantar soja, não foi bem interpretada. Muitos agricultores brasileiros manifestaram-se contra, entendendo que a ONG propõe que apenas brasileiros deixem de plantar, lamentou Favarão, referindo-se ao resultado da reunião na CNA que tratou do assunto, dias atrás.
Na verdade, a coisa é mais ampla e consistente: produtores canadenses e norte-americanos estão querendo pôr em prática um plano para reduzir a oferta de soja e conquistar preços justos, com remuneração igualmente justa, sem que tenham que recorrer a subsídios, explica.
Eles querem valorizar o produto, resume Favarão. Sem a parceria de brasileiros e, secundariamente, com produtores argentinos, a tentativa de enxugar o mercado e valorizar o produto fica mais difícil - interpreta Favarão. Reduzir o plantio para reduzir a oferta, é uma atitude comercial absolutamente defensável.
Evidentemente que a idéia tem que ser debatida; que a sua autoria tem que ser questionada e os propósitos bem definidos. Mas, o que não podemos é rechaçar a idéia sem ao menos conhecâ-la amplamente, afirma.
De concreto, o que existe é o seguinte: uma associação, que representa interesses de produtores canadenses e norte-americanos, está tentando reduzir a área de plantio, busquando equilíbrio entre oferta e procura e o consequente aumento de preços. E oferece como indenização - para quem deixar de plantar soja -, nada mais nada menos que 165 dólares/ha. Ao câmbio de R$ 2,50, isto representa quase R$ 1.000,00/alqueire (ou exatos R$ 998,00). É preciso ver a natureza jurídica desse contrato, sua consistência, seriedade, etc. Afinal, a soja, com uma produtividade de 50 sacas/alqueire não vai garantir esse retorno (R$ 988,00), afirma Favarão. É uma boa proposta. E o brasileiro não pode descartar a opção de não plantar como alternativa legítima de negócio.
Depois de fazer essas ponderações, Favarão critica o sistema de comercialização. Lembra que no ano passado houve quem vendesse a soja - inclusive ele - por R$ 16,00, no pico da comercialização, entre março e abril. Em outubro, as cotações chegaram a R$ 27,50. Na opinião de Favarão, este ano não vai ser diferente; ele acha que a soja deve vairar entre R$ 18,00 e R$ 19,00 em março/abril (está caindo quase R$ 1,00/saca ao dia, reclama) para chegar a R$ 27,00 outubro/novembor.
No ano passado, muita gente vendeu a soja a R$ 16,00/saca, no pico da oferta, entre março e abril. No entanto, em outubro a cotação chegou a R$ 27,50. Mas o produto estava nas mãos das indústrias ou das cooperativas. E por que o agricultor perdeu dinheiro? - pergunta Favarão. Porque tem compromissos vencendo nessa época. Inclusive compromissos junto às cooperativas; coincidentemente - a exemplo das indústrias e multinacionais -também as cooperativas programam contrato com o produtor com parcelas que vencem nesta época.


