Proposta dos EUA contém 'armadilhas', diz professor
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terça-feira, 11 de fevereiro de 2003
Agência Estado 
São Paulo- Marcos Jank, professor de Política Comercial da USP e ex-consultor de comércio internacional do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), alerta para as ''armadilhas'' da proposta preliminar dos Estados Unidos para a Área de Livre Comércio das Américas (Alca). O sinal de alerta, segundo Jank, vem do trecho que determina ''mais de um cronograma de eliminação tarifária por produto'', estabelecendo que 85% das importações do Caribe receberiam isenção imediata, 64% dos produtos da América Central, 68% dos países andinos e apenas 50% dos bens exportados pelo Mercosul.
''Eles estão propondo diferentes velocidades para a Alca. Os países que oferecem perigo, como o Brasil, teriam acesso adiado'', diz Jank. Segundo o professor, a tática americana pode levar o Brasil ao isolamento. Trata-se de uma estratégia semelhante à proposta européia na Organização Mundial do Comércio (OMC), que divide os países emergentes em duas categorias e propõe livre acesso aos países mais pobres, desagregando a negociação.
''São os países mais ricos se aliando aos mais pobres na luta contra os países mais competitivos'', diz Jank. ''Na prática, com as velocidades diferentes, todo mundo poderá vender açúcar para os EUA, menos o Mercosul.''
De acordo com Jank, as exportações agrícolas brasileiras, que são as mais atingidas por medidas protecionistas americanas, não seriam necessariamente beneficiadas pela oferta dos EUA, que querem isentar de tarifas 56% das importações do hemisfério imediatamente após a instalação da Alca.
O professor explica que atualmente 84% das importações agrícolas já têm tarifas baixas, entre zero e 15%. ''O grande problema são os 7% das importações que têm picos tarifários, isto é, tarifas altíssimas que afetam os principais produtos da pauta brasileira, como o açúcar'', diz. ''Esses 7% podem muito bem estar entre os produtos que levarão dez anos ou mais para terem redução de tarifas.''
O grande interesse do Brasil, portanto, não foi abordado pelo pelo representante americano para o Comércio, Robert Zoellick. ''Tenho absoluta certeza de que suco de laranja, álcool, açúcar e carnes estarão entre os produtos que levarão mais de dez anos para redução das tarifas'', diz. Por outro lado, a proposta americana para a área de serviços, incluindo os financeiros, é bastante agressiva, até porque os EUA esperam contrapartida e têm muito interesse em liberalizar esse setor na América Latina.


