Uma hipotética fusão entre os ministérios da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e do Desenvolvimento Agrário (MDA) é visto como um retrocesso por entidades que defendem os direitos de pequenos produtores e agricultores familiares. Já associações ligadas a grandes produtores são favoráveis à unificação.
''Há 20 anos brigamos por uma política voltada para a agricultura familiar. Só agora é que conseguimos e a fusão seria um retrocesso'', afirma Mário Plefk, secretário-geral e diretor de políticas agrícolas e agrárias da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Paraná (Fetaep). ''Quando existia um só ministério, ele nunca se preocupou com a agricultura familiar'', acrescenta, defendendo a manutenção do MDA.
Segundo Plefk, os grandes produtores não precisariam ser beneficiados com subsídios governamentais. ''Eles têm como se sustentar com o agronegócio. Já a agricultura familiar não pode ser competitiva porque o produtor não tem recursos'', diz. Para o dirigente, o MDA deve não apenas continuar existindo, como precisa ter sua atuação expandida.
Rogério Nunes, secretário-executivo da Comissão Pastoral da Terra (CPT), também defende a manutenção de dois ministérios e a o fortalecimento do MDA. ''Os investimentos maiores são sempre para o ministério da Agricultura. Uma fusão tende a aprofundar ainda mais essa diferença'', diz. Para justificar suas posições, Nunes e Plefk afirmam que a maior parte da produção de alimentos sai de pequenas propriedades, enquanto o agronegócio estaria interessado em monoculturas para exportação. ''Defendemos um modelo agrícola que priorize a alimentação e a produção para o mercado nacional'', declara Nunes.
Já a Federação da Agricultura do Paraná (Faep) tem posição oposta. ''A produção agrícola é uma só, o que muda são os níveis de tecnologia. Por isso a Faep sempre foi contra dois ministérios'', afirma Carlos Augusto Albuquerque, assessor da diretoria da entidade.
Albuquerque tem opiniões parecidas às do professor Fábio Chaddad, inclusive no que se refere à reforma agrária. ''Hoje vai mais dinheiro para a reforma agrária e se esquece, por exemplo, da sanidade animal'', diz, citando o recente surto de febre aftosa que atingiu o Paraná e que, segundo ele, gerou um prejuízo de mais de R$ 1 bilhão para os produtores do Estado, incluindo grandes e pequenos. (R.L.)

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