Proposta de cotas para importação da linha branca
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 12 de julho de 2004
Marina Guimarães<br> Agência Estado 
Buenos Aires - Cotas fixas de importações de produtos brasileiros da linha branca por um período de cinco anos, com possibilidade de revisões anuais. Esse é o teor do acordo que o setor privado argentino quer fechar com o Brasil, segundo uma fonte da União Industrial Argentina (UIA). Representantes dos dois governos e empresários vão negociar um acordo amanhã numa reunião na Argentina.
Para as importações anuais de geladeiras brasileiras, a cota proposta pela Argentina seria de 160 mil por ano, equivalente a 35% do mercado interno, ante a contraproposta brasileira de 435 mil unidades. A UIA considera esta uma cifra ''dramática'' porque representaria 96% do mercado local.
No caso dos fogões brasileiros, os argentinos querem um limite de 60 mil unidades por ano, o que representa cerca de 20% do mercado interno. Porém, a cota que o Brasil aceita, segundo a fonte, é muito maior: 160 mil, quase 50% do total vendido na Argentina. Para as exportações brasileiras de máquinas de lavar roupa, o setor privado argentino deseja fixar uma cota de 66 mil unidades por ano (cerca de 25% do mercado local). No entanto, os fabricantes brasileiros pedem uma fatia de 80% do mercado interno, com uma cota de 231 mil unidades anuais.
A distância entre a proposta e a contraproposta abre um verdadeiro abismo entre os setores privados de ambos países. Por causa dessa grande diferença, no governo argentino poucos negociadores acreditam que se possa chegar a um acordo na reunião de amanhã.


