Brasília - A proposta de alteração da meta de inflação de 2005, com o objetivo de abrir espaço para maior crescimento da economia, vem ganhando adeptos no governo. Em entrevista ontem a um programa matutino de entrevistas de uma rede nacional de TV, o ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes, disse que concorda com a proposta do líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP), de ampliar a meta de inflação de 2005 de 4,5% para 5,5%, mantendo-se esse nível nos anos seguintes.
''Eu tenho absoluta concordância'', disse Ciro. ''Qualquer inflação é ruim. Agora, o nível de inflação no curto prazo pode, eventualmente, tirar margem para esse esforço (de aumentar) o nível de emprego e de renda'', afirmou o ministro, acrescentando que essa idéia ''e outras tantas'' estão sendo estudadas pelo governo. Em entrevista à Agência Estado, Mercadante disse que nenhuma das propostas em exame prevê inflação maior do que 5,5%. ''Nada está sendo discutido acima de 5,5% para 2005 e não vejo nenhuma chance de isso prosperar.'' A discussão sobre a alteração da meta foi determinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que está preocupado com o baixo crescimento da economia e a persistência do desemprego.
De acordo com o senador, uma decisão deverá ser tomada em junho pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). O objetivo da mudança é assegurar o controle da economia sem impedir a retomada do crescimento, já que uma meta mais alta, segundo ele, permitiria que o Banco Central trabalhasse com juros mais baixos. Alguns cálculos, disse Mercadante, indicam que uma meta inflacionária de 5,5% poderia ampliar de 3,5% para 4% o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) previsto para o próximo ano.

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