Proposta africana à OMC pode beneficiar algodão brasileiro
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quinta-feira, 01 de maio de 2003
Agência Estado 
Genebra - Os países africanos apresentaram uma proposta na Organização Mundial do Comércio (OMC) que pode acabar beneficiando as exportações brasileiras de algodão. Em um documento entregue à entidade, Mali, Chade, Burquina Fasso e Benin propõem que os Estados Unidos e a União Européia (UE) eliminem seus subsídios ao setor de algodão até setembro, quando ocorre a reunião ministerial da OMC, em Cancun. Caso não façam os cortes em suas ajudas estatais, seriam obrigados a dar compensações financeiras aos países prejudicados pelos subsídios nos mercados centrais. A proposta, que pegou o Brasil de surpresa, foi apoiada por organizações não-governamentais (ongs), como a Oxfam, que pede que a OMC ouça a idéia dos países africanos.
Ao dar subsídios, os países ricos estariam distorcendo o mercado internacional e contribuindo para a queda nos preços do algodão. O resultado é o aumento da pobreza entre os fazendeiros que não recebem subsídios, como os do Brasil e dos países africanos. ''Os contribuintes europeus e norte-americanos estão financiando a destruição da produção de algodão na África'', afirma a Oxfam, que alerta que, sem os subsídios, os preços internacionais do produto aumentariam em 25%.
Segundo estudos da Oxfam, os Estados Unidos destinam três vezes mais recursos para seus produtores de algodão que na ajuda de 500 milhões de pessoas na África. ''Só uma fazenda, a US Tyler, no Arkansas, recebeu US$ 6 milhões em subsídios em 2001, o equivalente à renda somada de 25 mil agricultores em Mali'', afirma a entidade.
O Brasil, que acabou de abrir um painel (comitê de arbitragem) contra a política de subsídios dos Estados Unidos, recebeu com certo entusiasmo a notícia da proposta africana. Caso os países desenvolvidos cumpram a sugestão, quem também sairá ganhando serão os exportadores brasileiros, que hoje são prejudicados pela concorrência desleal do produto norte-americano.


