Proposta à UE deve cobrir 85% do comércio
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segunda-feira, 10 de fevereiro de 2003
Agência Estado 
Bruxelas - A oferta de acesso a mercado dos países do Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai) à União Européia (UE) está sendo elaborada para cobrir pelo menos 85% do universo tarifário, faltando acertos em alguns setores, como, por exemplo, químico, eletroeletrônico, automotivo e autopeças, segundo uma alta fonte diplomática. O trabalho sofre alterações todos os dias, diz a fonte, de acordo com os acertos que estão sendo fechados, pouco a pouco, com os diversos setores e a ''expectativa é que todos contribuam''. A oferta ''está praticamente pronta'', garante a fonte diplomática, e deverá representar mais de 85% da cobertura do valor do comércio de bens (agricultura e indústria) entre os blocos.
Para a Argentina, existem algumas ''dificuldades'', nas quais o Mercosul começa a aparar suas próprias arestas internas, como, por exemplo, dar acesso de mercado para os setores têxteis, siderúrgicos e calçadistas. A maior dificuldade argentina, neste caso, é a concorrência brasileira, avalia a fonte.
O setor agrícola está disposto, obviamente, a abrir suas portas onde há ofertas exportadoras, mas recusa a desgaravação (redução gradual das tarifas aplicadas ao comércio entre os dois blocos) imediata com receio da competição de produtos subsidiados na origem, porque, explica a fonte diplomática, a questão do subsídio não é tratada durante as discussões de acesso.
No Brasil, há graus diferentes de dificuldade dentro dos próprios setores. Os setores automotivo e eletroeletrônico são sensíveis, seguem protegidos por tarifas máximas, 35%, para o comércio extra-Mercosul.
A revisão recente do acordo automotivo entre Argentina e Brasil reflete a situação do setor, que teve como um dos objetivos o aumento da quantidade de autopeças nacionais nos carros produzidos no Mercosul.


