Curitiba Quase metade (48%) das empresas que participam de licitações foi alvo de pedidos de propina por agentes públicos. O problema mais grave ocorre quando a licitação é feita por governo estadual. Esse é um dos resultados de uma pesquisa sobre corrupção e fraudes empresariais, que está sendo divulgada hoje em Curitiba. O trabalho foi feito pela Kroll, uma multinacional de consultoria, em parceria com a Organização Não-Governamental (ONG) Transparência Brasil.
A pesquisa foi feita no primeiro semestre deste ano com a participação de 84 empresas no levantamento sobre fraudes e de 92 no de corrupção. A maior parte das empresas é da Região Sudeste. Para o presidente da Kroll Brasil, Eduardo Sampaio, a pesquisa não é representativa de todo o País, mas dá um bom indicativo do que o empresariado pensa sobre os assuntos. ''A pesquisa é muito importante porque usa as fontes primárias, que são as pessoas envolvidas diretamente. As anteriores eram só de percepção. Em segundo lugar, saímos do 'achismo'. Os agentes públicos podem usar esses dados para resolver algumas questões'', avaliou.
Das 92 empresas que responderam o questionário sobre corrupção, 87% responderam que o assunto é introduzido por iniciativa do agente público. Quarenta por cento delas já foram solicitadas a pagar propina quando o assunto são impostos e taxas. Para 64% dos entrevistados, a cobrança do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) é o mais vulnerável a essas práticas ilegais.
Pelo menos um terço dos empresários disse que a prática da corrupção é aceita pelas empresas. Em uma escala de zero a sete, a corrupção recebeu nota 3,63%. De acordo com Sampaio, essa percepção de corrupção vem diminuindo de forma lenta, mas gradual, nos últimos anos. Segundo ele, esse crime pode ser combatido com a denúncia. ''Muitos órgãos têm as suas ouvidorias, as corregedorias. Sempre é possível levar o problema para alguém, para a imprensa ou pessoa responsável'', declarou.
No questionário sobre fraudes, 86% disseram que se sentem ameaçadas com essa possibilidade. A maior parte das iregularidades é cometida por profissionais que já trabalham há mais de três anos no local. ''Quem comete fraude é quem conhece um pouco mais a empresa e tem uma certa autonomia'', disse Sampaio. Em 58% dos casos em que a empresa sofreu fraude, foi possível recuperar o valor desviado através de negociação com o funcionário.
A palestra Fraude e Corrupção no Brasil acontece hoje, a partir das 8h30, no Hotel Four Point Sheraton, e é aberta ao público, mas a confirmação deve ser feita no telefone (0xx41) 222-4625.

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