Propaganda ligada ao esporte é um jogo
São Paulo - Mas uma Olimpíada não é feita somente de vitórias. ''A propaganda ligada ao esporte é um jogo, pode-se ganhar ouro, prata ou bronze, mas desistir, quando o atleta vai mal, também pode ser risco para uma marca'', receita Washington Olivetto, da W/Brasil.
Para Olivetto, a derrota de Gustavo Kuerten, logo no primeiro jogo, não arranhou ninguém, só o atleta. ''As marcas que o apóiam não perderam, nem ganharam. Só ele perdeu.''
Os Correios, que apoiaram os esportes aquáticos, também não afundaram o dinheiro. A imagem dos atletas brasileiros nessa modalidade é tão forte que o eterno campeão Gustavo Borges, que se despede este ano das raias para se dedicar ao próprio negócio - academias de natação em Curitiba e São Paulo -, ganhou como parceiro a agência de publicidade J.W. Thompson Curitiba.
A presidente da Brasil Telecom, Carla Cicco, por exemplo, não ficou nada decepcionada com o desempenho da gaúcha Daiane dos Santos. Torceu e continuará torcendo pela ginasta. O contrato com Daiane foi assinado em fevereiro de 2002. E se Daiane - única negra na disputa - pisou fora da linha da quadra, perdendo pontos, a Brasil Telecom aproveitou para reforçar a imagem e dar apoio à ginasta em anúncios: ''180 milhões de jurados não podem estar errados: para o Brasil, você é ouro''. Daiane, mesmo sem vitória, ajudou a Brasil Telecom a driblar a crise de imagem pelo envolvimento em denúncias de grampos e espionagem de autoridades do governo.
Para o presidente da agência de publicidade Ogilvy, Sergio Amado, Daiane salvou, pela sinceridade, sua imagem e a dos patrocinadores ao assumir o erro na prova: ''Isso é fantástico, porque ela lutou até o final e mais que a torcida foi quem ficou mais decepcionada com o resultado, a ponto de os brasileiros se sentirem obrigados a lhe oferecer algum consolo''.
Ouro puro - O gerente de Marketing de Rainha, César Cruz Hamze, por sua vez, está rindo à toa. As duplas feminina (Adriana Behar e Shelda) e masculina (Emanuel e Ricardo) de vôlei de praia, conquistaram medalhas de prata e ouro. Nas quadras, Giovane e Fernanda Venturini também brilharam. A empresa que transformou Giovane em marca de tênis, agora testa com Fernanda um calçado mais apropriado aos pés feminimos.
''É como se a nossa missão estivesse cumprida, com sucesso, mesmo que por força de patrocínio do COB, em Atenas, esses atletas estivessem usando outras marcas, mas é a nossa que lhes permitiu chegar lá.'' O COB tem contrato de patrocínio com a Olympikus. Nada demais, porém, porque, quando o atleta desembarca, a festa é dos patrocinadores, que têm direito sobre o uso de imagem dele.
Todos ganham nesse negócio, ninguém perde, diz José Zaragoza, o Z da DPZ. Apaixonado pelo futebol, ele chega a dizer que ''não importa se há isenção fiscal para os patrocínios, o importante é que eles existam'', e desafia: ''As meninas do futebol deveriam ser adotadas por uma empresa. São ouro puro''. (C.F./AE)





