Curitiba - O Programa Nacional de Agricultura Familiar (Pronaf) investirá mais de R$ 1 bilhão no Paraná para abertura de créditos para os pequenos produtores rurais com renda bruta anual entre R$ 3 mil e R$ 60 mil. A intenção é atender mais de 2 milhões de agricultores familiares no Estado. No ano agrícola anterior (safra 2005-2006) foram investidos R$ 750 milhões.
De acordo com o secretário nacional de Agricultura Familiar do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), Valter Bianchini, o programa tem sido fundamental no Paraná para a fixação do homem no campo. Um estudo inédito realizado em parceria com o Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase) demonstrou que foram criados 20 mil novos postos de trabalho no campo na safra agrícola 2004-2005 em comparação com a anterior.
Melhoria da renda e da qualidade de vida também foram características positivas apontadas pela pesquisa que ouviu 2,3 mil agricultores no Paraná. O crédito rural entre mulheres também aumentou e hoje representa 23% dos recursos liberados. ''O crédito para mulheres é fundamental porque tem como pano de fundo o valor agregado. É ela, a agricultora familiar, que produz a geléia com a fruta cultivada. Que transforma o material produzido pela família, agregando renda'', disse Bianchini. A estrutura familiar dos agricultores que pegam crédito do Pronaf é de um casal com dois filhos. A maior parte dos beneficiados tem idades que variam entre 35 e 49 anos. Dos filhos (entre sete e 14 anos), 97% estão na escola.
Entre os pontos considerados negativos na pesquisa estão a falta de diversificação de produtos e o custeio das safras. Dados demonstraram que 85% do crédito do Pronaf 2004-2005 no Paraná foram destinados para o custeio de safras (insumos agrícolas) e 15% para investimentos (compra de animais). Setenta e quatro por cento do total do crédito em custeio foi para apenas duas culturas: milho e soja.
''Temos que incrementar a diversificação da produção. A integração da lavoura e da pecuária é positiva. A fruticultura agrega valores'', exemplificou. Bianchini aposta na uva em regiões como Marialva, Rolândia e região metropolitana; e na volta do café para o Norte. ''Não podemos ficar dependentes da soja e do milho'', ponderou.
A pesquisa demonstrou ainda que quanto maior a propriedade, menor a diversificação. Os agricultores com renda bruta anual até R$ 14 mil usam 55,4% do crédito para soja e milho; 16,4% para feijão; 7% para fumo; e 5% para o café. ''Quanto maior a diversificação, mais sustentável é o empreendimento.
Os produtores reclamam da falta de preço competitivo para os produtos produzidos no campo, burocracia para liberação de créditos e assistência técnica. Trinta por cento dos pequenos agricultores com renda baixa não recebem qualquer tipo de assistência técnica. ''Temos que criar uma rede de assistência técnica no Paraná - unindo o Estado, as organizações não governamentais e as prefeituras'', avaliou.
O governo do Paraná já teria se comprometido a fazer concurso público para contratação de técnicos para a Empresa de Assistência Técnica e Rural (Emater) e para o Instituto Agronômico do Paraná (Iapar). A Secretaria de Agricultura Familiar investirá R$ 100 milhões no Brasil em assistência técnica e outros R$ 100 milhões deverão ser investidos pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). ''A idéia é otimizar as ações no campo para termos mais qualidade''. Os investimentos no campo também serão incentivados. A pesquisa mostrou que na faixa mais baixa de agricultores familiares, o índice que possui tratores é quase zero. Apenas dois por cento teriam colheitadeiras em suas propriedades.

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