Pronaf e os ceguinhos
-Pronaf, ministro, gerentes de bancos e produtores, são personagens e ingredientes de um episódio que lembra a piada dos dois ceguinhos na porta da igreja. Um gozador qualquer se aproxima e diz: ‘‘Está aí uma nota de 100 reais; dividam, dá cinquenta para cada um’’, certo?. Foi embora sem deixar dinheiro algum, enquanto os cegos se acusavam mutuamente na hora de trocar o dinheiro: ‘‘Está com voce!, afirma um deles. ‘‘Não, ele entregou para voc꒒, retruca o outro.
-Só que na triste realidade do crédito, o gazador não é um qualquer, é uma autoridade do governo. E os ceguinhos são os agricultores e, eventualmente, os bancos. Grandes produtores afirmam que o governo só destina recursos para a agricultura de subsistência. Já os pequenos acham que só os fazendeiros, porque fazem uma boa média bancária, têm acesso ao crédito, que é elitizado. Uma autoridade do governo, geralmente o ministro, chega e dá números sobre o volume de crédito. Semanas atrás, chegaram apontar o dia da semana, a partir do qual o crédito estaria disponível nas agências do interior.
-A palhaçada em torno do Pronaf, neste momento exato de plantar, reflete tem a falta de compromisso com quem produz. (Veja matéria principal dessa página e nos ‘‘drops’’ abaixo.
Sucroalcooleiro Produtores e indústriais do álcool e açúcar do Paraná vão se reunir nesta sexta-feira, 24, em Maringá, para debater política do setor. O primeiro seminário foi no Sindicato Rural de Jacarezinho, dia 17. Estes debates - parceria entre Faep e Alcopar, com apoio do Senar -, buscam soluções para a crise da produção e comercialização.
-Recentemente, foi entregue ao governo federal uma proposta para revitalização do setor. Hoje as plantações de cana, as usinas de açúcar e as destilarias de álcool geram 1,3 milhão de empregos diretos e 3 milhões de empregos indiretos, movimentando uma receita de US$ 18 bilhões/ano. Com a crise, pelo menos 80 mil famílias estão ameaçadas de perder o emprego, conforme dados da Faep divulgados ontem.
-Entre os problemas que afetam o desempenho dessa cadeia produtiva estão o excedente mundial de açúcar e a redução do consumo interno de álcool, com os preços caindo de uma média de US$ 250 para US$ 135, este ano. As medidas sugeridas ao governo federal são no sentido de aumentar a mistura de álcool à gasolina de 24% para 26%; adicionar álcool ao diesel, fabricação de carros a álcool e o enxugamento dos estoques excedentes de 2 bilhões de litros de álcool. Os produtores brasileiros defendem ainda investimentos na modernização da infra-estrutura de escoamento da produção nos postos para reduzir o custo de embarque.
-A programação do seminário em Maringá, na sexta-feira, foi confirmada pela Comissão Técnica de Cana da Faep, que dá como certa a presença o secretário adjunto da Agricultura de São Paulo, Lourival Monaco, que falará sobre o ‘‘Pacto pelo Emprego no Agronegócio Sucroalcooleiro’’. As palestras: Silvio Lembi, da Comissão Técnica da Faep, Anísio Tormenta, José Roberto Canziani e Rogério Berger, João C. Simões Rodrigues e Aníbal P. de Almeida Prado, sobre política de formação de preços da cana-de-açúcar.



Cadê o Pronaf?
No governo FHC, o miniprodutor de hoje é o sem-terra de amanhã. O governo justifica a falta de financiamento para médios e grandes alegando que a prioridade são mini e pequenos, mas estes não vêem a cor do dinheiro.
E o Pronafinho?
Nem Pronaf, nem Pronafinho. A Fetaep evita comentários para não bater de frente com o Ministério de Assuntos Fundiários. Mas está se mexendo e todos estão preocupados. O dinheiro só chega em conta-gotas. A demanda é grande.
Reunião
‘Democraticamente’, a reunião de dirigentes com o Banco do Brasil, ontem, não permitiu a presença da imprensa. No entanto, na sexta-feira, oitenta sindicatos mandaram um recado para o Banco Central, ameaçando bloquear agências.
Para assentado
A coisa se complicou, dizem, depois que Pratini de Moraes jogou o Pronaf para o Ministério de Assuntos Fundiários. Temem que a prioridade sejam os assentados. Nesta altura acham que não vai sobrar crédito para ninguém.
Quem responde?
E quem conseguir falar com Ludgerio Monteiro (o técnico que administra o Pronaf para o Ministério de Assuntos Fundiários, ainda no prédio do Ministério da Agricultura), pode jogar na loteria. O telefone está sempre ocupado.
Humor
Quem errar o caminho e perguntar sobre o Pronaf no Ministério da Agricultura, corre o risco de se deparar com o mau humor de um assessor chamado José Carlos. Que se irrita à toa.

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