Promotor vê altas injustificadas
O promotor de Defesa do Consumidor em Londrina, Leonir Batisti, disse à Folha, na sexta-feira, que uma margem razoável de preços de gasolina em Londrina seria entre R$ 1,20 e R$ 1,28, ‘‘resguardando as margens de lucros de companhias e revendedores’’. Ele apura indícios de formação de cartel pelos postos da cidade e aumento injustificado de preços. ‘‘Vendendo a gasolina por R$ 1,32, os postos estão ganhando R$ 0,21 por litro’’.
Na semana passada, Batisti ouviu representantes de três companhias distribuidoras para tentar descobrir o que justificaria as diferenças nos preços dos combustíveis na região e os preços praticados em Londrina, que quase não tem variação. ‘‘Eles afirmaram que podem adotar políticas diferentes de preços para certos filiados em função do mercado local e que, em Londrina, vendem o litro da gasolina por R$ 1,11 e, o do álcool, por R$ 0,49’’, contou.
Amanhã, o promotor tem audiência marcada com um outro representante de distribuidora. ‘‘Também vou começar a expedir, amanhã, notificações para interrogar os postos de Londrina a partir da próxima quarta-feira’’.
Segundo Batisti, o fato dos postos aumentarem os preços dos combustíveis baseados nos preços dos concorrentes pode caracterizar ‘‘aumento injustificado’’. ‘‘Cada posto tem um custo diferente. Não há porque aumentar só porque o preço do vizinho mudou’’, afirmou. Na última semana, aconteceu o inverso: uma redução ‘‘coletiva’’ nos preços. A maioria dos postos diminuiu o preço da gasolina de R$ 1,35 para R$ 1,32.
O diretor do Sindicombustíveis de Londrina, Valter Sasso, considera a ‘‘mexida’’ nos preços como uma auto-regulação do mercado. ‘‘A exemplo do que acontece no setor supermercadista, os donos de postos fazem pesquisas de mercado e baseiam seus preços nas bombas dos concorrentes. Isso é perfeitamente normal’’. (C.L.)

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