Promotor pode ser peça decisiva na hora da compra
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segunda-feira, 30 de dezembro de 2002
Agência Estado 
São Paulo O representante comercial Nilton dos Santos ainda não sabia qual óleo de cozinha colocar no carrinho quando se aproximou da gôndola, durante suas compras num hipermercado em São Paulo. Apesar da preocupação com os preços, acabou pegando seis unidades do produto mais caro: um óleo de canola de R$ 4,18, bem mais caro do que um similar, de outra marca, que custava R$ 3,44. E não foi por fidelidade à marca. Santos contou com a ''ajuda'' de uma simpática mocinha, que lhe ofereceu explicações sobre o produto e um livreto de receitas. ''Também costumo comprar uma goiabada que sempre posso provar quando venho às compras'', conta ele.
O empurrãozinho decisivo da promotora de vendas bem preparada para abordar clientes e ainda zelar pelo espaço do produto nas prateleiras e pela reposição do estoque, custa pouco mais de R$ 500 por mês, sem vínculo empregatício. ''Já cheguei a participar de treinamentos das 9h até 22h'', conta a promotora Soraia Matsui Rivertti, que há mais de um ano vive de contrato em contrato. Ela faz parte de um tipo de profissional cada vez mais solicitado pelas empresas, que os convocam para serviços temporários, por intermédio de agências especializadas.
Uma das maiores em atuação no Brasil atualmente, a HVA, administra, nessa época do ano, cerca de 7,2 mil profissionais temporários, entre promotores de vendas, degustadores, repositores e animadores de eventos, entre outros. ''Com todas as turbulências da economia, nosso volume de negócios cresceu em torno de 30% este ano, mesmo comparando-se com dezembro do ano passado'', afirma o diretor de Marketing da HVA, Fernando Gouthier.
Para melhor a qualidade dos profissionais que oferece a sua clientela, que inclui Coca-Cola, Nestlé e Unilever, entre outros, a HVA montou uma réplica de um centro comercial para treinamento, numa área de 800 metros quadrados. No espaço, foram reproduzidos, nos mínimos detalhes, as fachadas e interiores de um mercado, uma quitanda, uma loja de conveniência, uma padaria, uma lanchonete e uma choperia. ''Funciona também como um laboratório onde testamos as peças que produzimos para os clientes'', conta o diretor de Criação da HVA, João Paim. ''Também podemos modificar os ambientes, criando até uma borracharia, se um cliente pedir.''
Numa época em que os gastos com publicidade são cada vez mais ponderados, algumas ferramentas de marketing promocional ganham espaço - em especial as que permitem laçar o consumidor no momento da compra. ''Uma pesquisa do Popai mostra que 85% das pessoas se decidem por uma marca no momento da compra'', conta o presidente da Associação Brasileira de Marketing Promocional (Ampro), Luiz Antonio Peixoto. ''É por isso que sentimos que nosso mercado tem crescido mais do que o da publicidade e propaganda.''
Peixoto diz não considerar as agências de promoção rivais das de publicidade, mesmo porque os primeiros dados sobre o tamanho desse mercado só serão levantados, pela primeira vez, no ano que vem, pela Ampro. Mas a profissionalização do segmento já é um bom indicativo do crescimento. Outro sinal é o interesse das grandes agências pela atividade, nos últimos anos. Em 2001, a DM9DDB lançou a MKTools, exclusivamente voltada para o segmento. Antes disso, a NewcommBates adquiriu a 141Brasil, enquanto a McCann Erickson assimilava as compras da Sight Momentum e da Bullet, que atuam na mesma área.


