Cláudia Lopes
De Londrina
A promotoria de Defesa do Consumidor de Londrina comprovou formação de cartel em postos de combustíveis do município. A informação é do promotor de defesa do Consumidor, Hélio Cardoso, que assumiu o cargo no Ministério Público há 15 dias.
‘‘Já temos provas de que houve formação de cartel no setor em novembro do ano passado e em agosto deste ano’’, afirmou o promotor. Cartel é crime contra a ordem econômica e de relações de consumo e prevê pena de reclusão de dois anos a cinco anos.
Cardoso, que está afastado por licença médica, disse que voltará a ouvir os donos de postos a partir da próxima semana. ‘‘Daqui a um mês, deveremos ter feito audiências com todos os envolvidos. Depois disso é que vamos oferecer denúncia crime contra alguns postos’’, anunciou.
Em agosto passado, o preço médio da gasolina comum em Londrina era de R$ 1,35 o litro. Em dez postos pesquisados ontem pela Folha, o preço mais baixo encontrado foi de R$ 1,04 e, o mais caro, de R$ 1,27. Mas muitos postos da cidade estão vendendo o litro do produto por R$ 1,05 e R$ 1,07. O promotor garantiu, porém, que esta redução nos preços não exime de culpa os posteiros que aderiram à cartelização.
A diminuição dos preços também é motivo de preocupação, segundo Cardoso. ‘‘Muitos postos estão vendendo a gasolina abaixo do preço de custo. É uma indicação de que pode estar havendo adulteração, sonegação fiscal ou dumping, ou seja, empresas vendendo com prejuízo para quebrar a concorrência’’, afirmou o promotor.
Nesta semana, Cardoso entrou em contato com a Agência Nacional de Petróleo (ANP) solicitando fiscalização nos postos de Londrina. ‘‘Na última segunda-feira, um consumidor levou à promotoria um galão que continha gasolina com aspecto de produto adulterado’’, revelou.
Embora os preços normais das companhias distribuidoras variem de R$ 1,10 a R$ 1,12, as empresas confirmaram ontem à Folha, extra-oficialmente, que estão operando com preços mais baixos por causa da grande concorrência local. O proprietário do posto Corujão, Antonio Carlos de Camargo, que em agosto vendia o produto por R$ 1,35, reduziu o preço para R$ 1,07. ‘‘Só consegui isso porque a Shell baixou seu preço de R$ 1,12 para R$ 1,07’’, contou.
Camargo disse que as vendas de gasolina no posto aumentaram por conta da diminuição do preço, saltando de três mil litros/dia para oito mil litros/dia. ‘‘Mas continuamos com a margem de lucro baixa’’, reclamou. ‘‘O problema de adulteração também é sério em Londrina’’.
No Posto Kelly, o litro do produto custa R$ 1,06 desde segunda-feira. ‘‘Mas vou ter que subir. Com a margem tão reduzida não conseguirei cobrir os custos’’, afirmou o propietário, Júlio César de Souza. Ele disse ter sido obrigado a baixar o preço por causa da concorrência. ‘‘O posto estava às moscas. Nesta semana, o movimento aumentou 20%’’. A Folha tentou ouvir o diretor do Sindicombustíveis de Londrina, Valter Sasso, mas não conseguiu.

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