São Paulo - O Brasil fechou fevereiro com 152,3 milhões de celulares. Isso equivale a uma densidade de 80% da população. Quer dizer que oito em cada dez brasileiros têm celular? Dificilmente. Com a guerra de promoções entre as operadoras, tornam-se cada vez mais comuns consumidores que usam dois ou mais chips, para aproveitar as ofertas de diversas empresas e reduzir os gastos.
Essa tendência é comum em outras partes do mundo. Em fevereiro, a Argentina tinha 119,2 celulares por 100 habitantes. Como o total da população inclui bebês, pessoas que não conseguem falar no telefone ou que vivem em lugares sem cobertura, são muitos usuários por lá com mais de um chip.
Renata Maria da Penha Maranhão, administradora de empresas, têm quatro chips. ''Gasto muito menos'', diz Maranhão. A advogada Juliana Maranhão da Silva, filha de Renata, têm três chips. ''Quando tinha só o pós-pago, cheguei a gastar R$ 400 por mês'', afirma Juliana. Hoje, ela gasta R$ 60 no pós e cerca de R$ 10 em cada pré-pago.
''O número de clientes com mais de um chip não é enorme, não chega a metade da base'', explica Hugo Janeba, vice-presidente de Marketing e Inovação da Vivo. ''Clientes com esse perfil conhecem as ofertas em profundidade. O consumidor consegue falar 27 minutos com R$ 3, se entender bem os mecanismos das promoções.''
Segundo o executivo, existem clientes que têm mais de um chip para aproveitar as promoções, alguns fazem isso para compensar problemas de cobertura das operadoras e outros para ter celulares separados para usos diferentes, como pessoal e corporativo, residencial e pessoal, dados e voz. ''Com isso, a densidade do celular no Brasil facilmente passa os 100%'', acredita Janeba.
Para Luis Minoru Shibata, diretor de Consultoria da PromonLogicallis, ainda é cedo para saber se essa tendência vai se consolidar, fazendo com que o mercado brasileiro trabalhe de um jeito parecido com mercados de países europeus. ''Na Itália, os consumidores compram o melhor aparelho e vão mudando os chips'', exemplifica Shibata. ''O que a gente enxerga no Brasil é um momento de experimentação, que chega com a portabilidade.''

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