O Calçadão de Londrina amanheceu ontem com sofás, guarda-roupas, cadeiras e muita gente carregada de sacolas. Para aproveitar as liquidações anuais das grandes redes de lojas, um batalhão de gente madrugou e até dormiu nas filas. A maioria achou que valeu a pena. ''Foi muito bom. Acho que todo mundo deveria juntar dinheiro e comprar nestas promoções. Com o dinheiro de uma peça a gente consegue levar duas'', afirmou o agricultor João Peralta, referindo-se aos dois guarda-roupas comprados por R$ 478,00 na promoção. ''Paguei à vista, em dinheiro'', fez questão de frisar. Peralta e a mulher, Miltes, chegaram à loja às 4 horas, e carregaram os móveis na própria caminhonete. ''Nós viemos do Mato Grosso há dois anos e estamos mobiliando de novo a nossa casa'', contaram.
Quem também aproveitou para renovar móveis e eletrodomésticos foram as irmãs Ludmila Daiana Camillo Maístro e Cassila Renata Camillo, de Cambé (13 quilômetros a Oeste de Londrina). Elas vieram acompanhadas do marido e namorado, respectivamente, com o objetivo de ''comprar umas coisinhas novas'' para a mãe, que está no Exterior. Passaram a noite na fila, e acharam que não foi tão ruim. ''O pessoal da loja estava bem organizado. Serviram até pipoca e café para a gente'', elogiou Ludmila.
A caminhonete da família voltou carregada com uma máquina de lavar, microondas, mesa de cozinha, rack, DVD, panela de pressão e liquidificador. Segundo o cálculo das irmãs, que gastaram R$ 1.750, a economia foi de aproximadamente R$ 500.
Depois de um ano inteiro economizando e pesquisando preços, o casal Dulcinéia e Ismael Gomes de Lima pôde, enfim, comprar o ventilador, a churrasqueira e a batedeira de bolo que queria. De quebra, os dois levaram um jogo da memória para os filhos Ismael e William. ''Nós acordamos às 5 horas, e passamos primeiro numa loja de Cambé, onde a gente sabia que o ventilador estava mais em conta. Depois viemos para cá. Acho que deu para economizar uns R$ 100'', informou Lima.
Em alguns casos, a economia implicou em sacrifícios maiores ainda. As amigas Solange Genário da Rocha e Wilma Laurentino Vinha, do distrito de Guaravera, encararam o percurso de 40 quilômetros de moto e chegaram às 3 horas. Pouco antes das 9 horas, elas saíam da loja carregando um dos sofás do jogo comprado a R$ 399 por Solange. Ela também conseguiu comprar uma cama para a filha por R$ 99. ''O preço normal era R$ 290'', revelou.
De acordo com o gerente do Magazine Luiza, Edilson Stefanini, antes da loja ser aberta, às 5 horas, 700 senhas já haviam sido distribuídas. Às 9 horas, ele calculava que umas 2 mil pessoas haviam entrado na loja. Até as 11 horas, horário previsto para fechamento, a previsão era de atender 4 mil clientes. ''Nas 254 lojas espalhadas por cinco Estados, a meta é vender R$ 38 milhões.''
Stefanini lembrou que a rede está na 12 edição da liquidação e é precursora neste tipo de estratégia de venda. Os descontos chegaram a 70% e, segundo o gerente, os itens mais procurados foram os DVDs, televisores, geladeiras e fogões. As lojas Colombo, Romera e Dudony também promoveram a liquidação de início de ano.

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