Promoção do varejo ameaça produtores de batatas no PR
Vânia Casado
Curitiba
Os produtores de batata do Paraná está se sentindo prejudicados com as promoções que estão sendo feitas na venda ao consumidor pelas grandes redes de supermercados. Em dias de promoção, a batata chegou a ser vendida por até R$ 0,05 o quilo ao consumidor, valor que não remunera o custo de produção. Os produtores questionam como as redes de supermercados promovem essa queima de preços num dia e nos demais dias vendem pelo valor normal de mercado entre R$ 0,70 e R$ 0,80 o quilo?
Essa situação é prejudicial à medida que os fornecedores dos supermercados pressionam o produtor, revelou Luiz Bueno, diretor da Associação dos Bataticultores do Paraná (Abapar). Segundo Bueno, quando as grandes redes acertam um contrato com o fornecedor, elas exigem o produto de graça um dia por semana. Com isso elas fazem a promoção. Portanto, o produto vendido a R$ 0,05 o quilo naquele dia até rende lucro porque o supermercado não pagou nada ao fornecedor por isso.
O fornecedor por sua vez, que compra a batata de vários produtores exige um prazo de 40 a 50 dias para pagamento. Após esse prazo, quando vai acertar as contas com o produtor alega que houve perdas, devoluções de mercadoria e acaba pagando somente 50% do valor acordado previamente, o que reduz o valor empatado com o fornecimento de mercadoria grátis ao supermercado. Com isso quem fica com o mico na mão é o produtor, afirmou Bueno.
Bueno disse que não é contra oferecer o produto mais barato ao consumidor, mas o supermercado não pode fazer cortesia com o chapéu alheio, insistiu. Para o diretor da Abapar, a oferta de hortifrutigranjeiros, incluindo a batata, a preços irreais só acontece em Curitiba. Ele atribuir isso à falta de organização do produtor que não percebe a força da união durante uma negociação. Em outras praças, essas promoções não ocorrem com tanta agressividade, e aqui somos passivos, disparou.
Bueno salienta que esse problema é decorrente da concentração de redes de supermercados em Curitiba, que está provocando o desequilíbrio do sistema de fornecimento de alimentos. Nos últimos meses, os produtores vêm trabalhando com um alto índice de inadimplência por parte dos fornecedores que está ficando insustentável. A situação será denunciada a nível nacional durante o Encontro Nacional da Batata, que será realizado na semana que vem, entre os dias 8 e 11 de novembro, em Itapetininga-SP. O presidente da Associação Paranaense de Supermercados, Ruy Senff foi procurado para manifestar a posição dos supermercados, mas não foi encontrado.
Para agravar a situação, os produtores lamentam que não têm acesso a financiamento de custeio para instalação de lavouras. Segundo Bueno, os bancos alegam que a implantação das lavouras é muita cara e o produto altamente perecível pode ser perdido, dependendo do consumo. O aumento do consumo de batata, solução para baixar o risco da lavoura, é outro assunto que será debatido durante o Encontro.
Segundo Bueno, uma das saídas é aumentar a industrialização do produto para ocupar um mercado revelado com as importações. Agora com a alta do câmbio, as importações recuaram e o mercado está sem abastecimento por falta de estrutura das indústrias locais para processar o produto.





