Promessa de socorro faz bolsa disparar
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sexta-feira, 11 de setembro de 1998
Agência Estado 
A vistosa valorização das Bolsas de Valores deu um toque de aparente afrouxamento da tensão que vinha permeando os negócios no mercado financeiro desde o início da fuga de capitais do País. A Bolsa de São Paulo fechou com valorização de 13,40%, a maior desde a alta de 25,62%, de 10 de março de 1995, estimulada principalmente pelos rumores de que o País poderia receber ajuda financeira do exterior (leia na página 2). O socorro viria do Tesouro norte-americano e de outros países integrantes do grupo dos países mais desenvolvidos (G-7).
O comportamento do fluxo de dólares, contudo, não correspondeu às expectativas para um dia em que esteve em vigor o novo nível de juros na economia. Na noite de quinta-feira, o Banco Central elevou o piso de juros indicado pela Taxa de Assistência aos Bancos (TBAN) de 29,75% para 49,75%, deixando claro que, em caso de continuidade de evasão de dólares, o governo poderia mover o piso até esse nível. A elevação é possível, mas, por enquanto, o BC indicou que o piso é menor. Logo pela manhã, o BC transmitiu ao mercado que estaria repassando ou tomando recursos do sistema pela taxa de 39,75%.
O saldo cambial negativo do dia na soma das movimentações dos câmbios comercial e flutuante, pelas contas do mercado, chegou a US$ 1,300 bilhão, que não é pouco, embora inferior ao de aproximadamente US$ 2 bilhões do dia anterior.
O mercado de ações reagiu positivamente às especulações de concessão de empréstimo-ponte pelos países do G-7, que, coincidentemente têm reunião neste fim de semana e na segunda-feira. Reforçaram a expectativa de ajuda as declarações do diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Michel Camdessus, de que o fundo está pronto para ajudar países da América Latina.
Os comentários estimularam compras de investidores que não resistiram aos baixos preços das ações, até para não ser surpreendidos com fatos novos positivos no fim de semana. A preocupação, no entanto, é que a fragilidade política do presidente norte-americano, Bill Clinton, com a revelação do relatório sobre o affair Monica Lewinsky, atrapalhe a articulação de um programa de socorro financeiro ao Brasil.
A Bolsa de Nova York fechou com alta de 2,36% ou avanço de 179,96 pontos. A reação das Bolsas brasileiras interrompeu a persistente baixa dos demais mercados acionários latino-americanos. A Bolsa de Buenos Aires subiu 6,78% e a da Cidade do México, 2,16%.


