O ritmo de proliferação da febre aftosa no Rio Grande do Sul está sendo 53 vezes mais lento do que no Uruguai, de acordo com os dados levantados pela Federação da Agricultura do RS (Farsul). Até a última sexta-feira, o governo uruguaio registrava 1.158 focos do vírus em 37 dias desde a identificação da doença, enquanto no território gaúcho ocorreram 16 focos em 27 dias. Na Argentina, também já foram confirmados 1.071 focos em 79 dias desde que a epidemia foi oficialmente reconhecida, mas há suspeitas de que esse número esteja subestimado.
‘‘Se formos comparar a situação brasileira com a argentina e a uruguaia, veremos que a situação é favorável a nós’’, afirma o presidente da Farsul, Carlos Sperotto. A vantagem é atribuída à memória imunológica do gado gaúcho, que foi vacinado até abril do ano passado, quando o procedimento foi suspenso para que o Circuito Agropecuário Sul pudesse pleitear o certificado de zona livre de aftosa sem vacinação junto a OIE. Embora a defesa imunológica já estivesse enfraquecida, ela era superior a do Uruguai, onde a última vacinação havia ocorrido há sete anos.
O rebanho gaúcho tem 12,5 milhões de cabeças, e o uruguaio, 10,5 milhões. O país vizinho chegou a sacrificar 5.093 bovinos, 1.511 ovinos e 333 suínos devido à aftosa, mas suspendeu a medida por pressão dos agricultores. No RS já foram sacrificados 634 animais até segunda-feira e na terça seriam mortos mais 28 em Rio Grande.
Preocupada em evitar futuros surtos da aftosa e conquistar melhores mercados, a Farsul lançou na segunda-feira o Sistema Integrado de Rastreabilidade Bovina, o SIRB. Esse sistema propiciará um controle dos animais desde o nascimento até o abate por meio de brincos gravados a laser e de numeração sequencial única, conforme as exigências da Comunidade Européia.

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