A transformação do lixo gerado pelas indústrias e pela economia em geral em dinheiro deverá ser a próxima onda de transformação tecnológica e já está em andamento. Cerca de 3.000 cientistas em todo o mundo estão estudando e pesquisando formas viáveis de transportar o lixo em artigos de elevado valor agregado e de aceitação no mercado. Esse é o conceito do Projeto Zeri, da Universidade das Nações Unidas em Tóquio, Japão.
O economista Gunter Pauli é o principal idealizador desse projeto que visa eliminar todos os desperdícios no processo produtivo. Sua palestra, ocorrida ontem no 9º Simpósio do Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade – IBQP, que está sendo realizada em Curitiba, foi uma das mais concorridas. ‘‘No Paraná, já existem empresas que estão aplicando o conceito Zeri e ganhando dinheiro com isso’’, disse. Segundo Pauli, na Europa as empresas que produzem lixo são taxadas pesadamente com impostos, daí o esforço em buscar a transformação dos resíduos, mas em produtos de valor, frisa.
O projeto Zeri é aplicado atualmente em 20 países, sendo que na África estão sendo aplicados US$ 3,5 milhões para encontrar soluções econômicas para evitar o desperdício de recursos. Gauli destacou que o aproveitamento do lixo é o desafio da produtividade na economia atual. Salienta que o Projeto Zeri não é reciclagem, mas sim uma solução econômica para o aproveitamento dos resíduos.
Ele destaca que a implantação desse projeto nas empresas pode ser feito em várias etapas. A primeira delas seria a dos sonhos de qualquer empresário, onde toda a matéria prima que entra na empresa é transformada, sem qualquer resíduo. Já as etapas seguintes são as mais viáveis nas empresas já instaladas, explica.
A segunda etapa seria o aproveitamento de resíduos sólidos em produtos consumidos pelo mercado. Citou como exemplo o aproveitamento do resíduo sólido da cerveja em massa para pão. A matéria orgânica, que normalmente é utilizada como alimentação para o gado, passaria por um processo de decomposição à base de cogumelos que devolvem as proteínas e sais minerais para o composto.
A terceira etapa é mais complexa e envolve a parceria com o poder público. Isso porque o planejamento de distritos industriais e agrícolas deve ocorrer para que o resíduo gerado por uma empresa seja deslocado para outra empresa vizinha, que fará o reaproveitamento. Pauli citou outros exemplos de aproveitamento. Citou a utilização de borra de café, como matéria prima para produção de cogumelo Shitake, de grande aceitação no mercado. A instalação de casas de bambu, matéria-prima resistente e que ainda preserva o carbono da atmosfera é alternativa para população carente. No Paraná, existe uma rede do conceito Zeri, que já produziu 22 projetos, informa o superintendente do IBQP–PR, Lúcio Brush. O mais expressivo deles é a transformação de resíduos de porco em biiomassa.

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