Projeto torna Brasil potência do álcool
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sábado, 10 de fevereiro de 2007
Karen Camacho<br>Folhapress 
São Paulo - O professor emérito da Universidade de Campinas (Unicamp), Rogério César Cerqueira Leite, apresentou ontem um projeto que elabora para o governo federal e que levaria o Brasil a produzir 20% de todo o etanol consumido no mundo. A apresentação foi feita na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) para o Conselho de Tecnologia e Competitividade.
Segundo Leite, a meta poderia ser alcançada em 2025 e dependeria de R$ 20 bilhões de investimentos ao longo dos primeiros cinco anos. Depois deste período, os investimentos seriam reduzidos gradativamente até que a atividade obtivesse retorno, o que seria possível por volta de 2017.
O investimentos seriam feitos pelas usinas produtoras de etanol e parte pelo governo federal, por meio de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
A produção para a exportação subiria do atuais 2,8 bilhões de litros por ano para 200 bilhões. No total, o Brasil produz, atualmente, cerca de 17 bilhões de litros de etanol por ano.
Para dar conta de abastecer 20% da demanda mundial, o Brasil teria de aumentar de 5,6 milhões para 30 milhões de hectares plantados de cana-de-açúcar. A expansão, segundo Leite, não seria feita em florestas ou áreas agrícolas. Segundo Leite, o processo de produção será mecânico e o cultivo da cana deverá ser expandido, principalmente, nas regiões Centro-Sul, Norte e Nordeste do país.O projeto é acompanhado pelo Ministério de Ciência e Tecnologia.
Substituição- Para substituir 10% da gasolina consumida no mundo por etanol brasileiro até 2025, o país terá que multiplicar por cinco a atual área plantada destinada à cana-de-açúcar. Essa é uma das avaliações do Projeto Etanol, uma parceria do Núcleo Interdisciplinar de Planejamento Energético (Nipe) da Unicamp com o Ministério de Ciência e Tecnologia para estudar cenários da produção de álcool etílico no Brasil num prazo de 20 anos - o projeto começou em 2005.
Seria necessário investimento anual de R$ 20 bilhões, que viria essencialmente do setor privado, embora o BNDES também possa financiar. O retorno viria nos últimos sete ou oito anos desse período. ''Para viabilizar a substituição de 10% da gasolina por etanol brasileiro, seria necessário ocupar menos de 10% da área agricultável do Brasil com cana-de-açúcar'', afirmou ontem Rogério Cezar de Cerqueira Leite, coordenador do Projeto Etanol, professor emérito da Unicamp e membro do Conselho Editorial da Folha de S.Paulo. Ele apresentou o projeto a membros do conselho de tecnologia e competitividade da Fiesp, em São Paulo.
O cenário para substituir 10% prevê que o volume exportado de etanol salte dos atuais 2,8 bilhões de litros para até 200 bilhões de litros nesse período, por meio da maior área plantada, da construção de usinas, da melhoria da infra-estrutura e do desenvolvimento de novas tecnologias.
Cerqueira Leite ressaltou que novos processos de hidrólise, que permitam, por exemplo, utilizar o bagaço da cana e aumentar a eficiência na produção do combustível, tendem a ser tornar comercialmente viáveis em até 15 anos.


