Projeto tem apoio de rede de laboratórios
As pesquisas brasileiras para obtenção de combustível líquido a partir de fontes renováveis de carbono se apóia em uma rede de laboratórios espalhados pela UFRJ, USP, Unicamp, Ufscar e UEM. Os estudos são coordenados a partir do Laboratório de Pesquisas da Petrobras, instalado no campus da UFRJ, que conta com 4 mil pesquisadores.
A responsabilidade do grupo de 10 professores e alunos do curso de Engenharia química da UEM recai sobre o desenvolvimento de um catalisador para acelerar e facilitar a reação química de transformação do Gás Síntese em combustível.
Os trabalhos começaram em 2004 após a assinatura de um convênio com a Petrobras cujo valor não é revelado por razões comerciais.
''Nós iniciamos o processo a partir de uma reunião com 50 pesquisadores de catálise e transformação do gás natural. A partir dali a gente faz reuniões anuais com os professores das universidades e da Petrobras'', conta o professor Pedro Arroyo - coordenador do grupo de estudos da UEM.
Arroyo explica que o catalisador em estudo é um ''pó'' resultante da mistura de dois elementos químicos - Cobalto (Co) e Silício (Si).
''A gente estuda a metodologia de incorporação do Cobalto na Síntese de Fischer/Tropsch. A molécula de Monóxido de Carbono do Gás Síntese interage com a superfície do Cobalto e o Hidrogênio é ativado. Com isso a molécula vai crescendo e ao final temos o produto desejado''. Dependendo das ''faixas de tamanho das cadeias carbônicas'' formadas, pode-se obter óleo diesel (biodiesel), gasolina e óleos lubrificantes. O teor dos elementos químicos presentes no catalisadores são responsáveis pela definição do ''tamanho das cadeias''.
A professora de Engenharia Química da UEM, Maria Angélica de Barros, também integra a pesquisa ''como interface ambiental''.''A gente trabalha as trocas iônicas para remoção de metais pesados. Isso pode ser usado para reter metais pesados que vão para os rios'', exemplificou.
A professora defendeu o uso da tecnologia verde. ''O engenheiro químico muitas vezes é visto como poluidor, mas trabalhos assim mostram o contrário.
Estamos transformando produtos poluentes em coisas que a sociedade aproveita''.
Além do Brasil, na Alemanha também existem pesquisas avançadas para obtenção de combustível a partir de biomassa.(F.C.)





