Projeto sobre área central é votado em 20 segundos
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terça-feira, 20 de dezembro de 2005
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
Em pouco menos de 20 segundos, os vereadores de Londrina aprovaram na sessão extraordinária de ontem, em segundo e último turno, o projeto do Executivo que cria novas regras aos empreendimentos de grande porte que queiram se instalar no chamado quadrilátero central da cidade. Apesar da restrição, o perímetro definido na matéria abrange praticamente todas as regiões do município.
Conforme a Folha publicou na edição de sábado, se sancionado como lei pelo prefeito Nedson Micheleti (PT), o projeto vai exigir que grandes empreendimentos no anel central tenham de passar por um Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV), a ser elaborado pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul). Apesar de a medida ser regulamentada em âmbito local apenas agora, na prática, nacionalmente, ela vigora desde 2001 por meio da Lei Federal 10.257 o Estatuto das Cidades. Uma emenda da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara estabelece que o Ippul disponibilize um servidor para tirar dúvidas de quem tentar tirar o EVI.
A rápida aprovação ontem em Plenário, na votação chamada pelo presidente da Mesa Executiva, Orlando Bonilha (PL), teve votos contrários de Marcelo Belinati (PP) e Roberto Fu (PDT). As diferenças políticas ficaram explicitadas nas justificativas de votos: integrantes da ala de oposição ao prefeito na Casa, ambos argumentaram ser contra tendo em vista os empregos que podem ser minados com a burocratização estabelecida com o projeto. ''Essa matéria inviabiliza a vinda do Wal-Mart para Londrina; a proposição dela foi pensando nisso'', acusou Belinati. ''Acredito que o Plano Diretor já estabelece o que pode ou não no centro da cidade'', declarou Fu.
Defensores públicos do projeto do Executivo, Bonilha e Jamil Janene, também do PL, se ativeram à justificativa do documento que considera grandes empreendimentos ''pólos geradores de tráfego, ruídos, que ofereça risco ambiental e demandem adequações na infra-estrutura urbana''. ''A Câmara está é avançando ao votar esse projeto. Antes tarde do que nunca'', discursou, exaltado, o presidente da Casa.
''O prefeito está agindo errado? Se existe aqui pessoa que tem suspeitas, que denuncie. Falar 'eu acho' não vale; vou convocar a Comissão de Ética da Casa quanto a isso'', emendou Janene. Nisso, Belinati devolveu: ''Não disse 'eu acho', esse projeto inviabiliza, sim, a vinda do Wal-Mart para cá. Mas mais feio que qualquer coisa é tentar tapar o sol com a peneira'', concluiu.
Ex-líder do prefeito na Câmara, o petista Gláudio Renato de Lima admitiu que a votação foi feita ''no afogadilho'' na sexta passada, ela aconteceu já no começo da noite, chamada em regime de urgência, como último item da pauta. ''Talvez tenha sido de afogadilho a forma como votamos e como isso chegou até nós, mas são regras importantes para a cidade'', resumiu.


