Durante quase dois anos, o empresário londrinense Kentaro Takahara bateu à porta de industriais para oferecer Londrina como sede de novos empreendimentos. Ele era o secretário da Comissão Executiva do Plano de Desenvolvimento Industrial (PDI) de Londrina. Embora o projeto não tenha sido institucionalizado como o previsto, Takahara lembra que alguns frutos foram colhidos a partir do trabalho das entidades e da Prefeitura.
"Entre outras empresas, trouxemos os Elevadores Atlas, a Dixie Toga e a Milênia", recorda. O empresário participou de toda a elaboração do PDI entre os anos de 1995 e 1996, durante o mandato do ex-prefeito Luiz Eduardo Cheida e, depois passou a integrar o órgão executivo criado pelo decreto 188, de abril de 1997, baixado pelo ex-prefeito Antonio Belinati.
"A ideia do PDI surgiu ainda em 1993. O Meneghetti (dono da Fiat Marajó, Flávio Meneghetti) me convidou e fomos conversar com o Cheida, que havia assumido o cargo recentemente. O prefeito comprou a ideia e fomos envolvendo mais gente", recorda. Segundo ele, um seminário do PDI chegou a reunir 120 pessoas.
Para desenvolver o estudo, foi contratada a Andersen Consulting, consultoria responsável pelo mesmo trabalho em Bilbao, na Espanha. Na gestão Belinati, segundo Takahara, teve início a implantação do projeto. "Foram criados o comitê e a comissão executiva do PDI, que eram integrados por políticos e empresários", recorda. Foi quando Takahara passou a viajar em busca de novos investimento para a cidade. "Houve uma conjunção de forças na época. O prefeito, o vice, Alex Canziani... Embora diziam que ele só fazia por Curitiba, o governador Jaime Lerner deu todo apoio para nós", declara.
Além da Atlas e da Dixie Toga, Takahara diz que o comitê executivo do PDI conseguiu trazer a Milênia para Londrina, resultado da fusão de empresas israelense com a antiga Herbitécnica. "Isso foi feito porque o governador permitiu o uso de créditos do ICMS em regime especial", diz o empresário. Com o mesmo recurso, foi possível, segundo ele, que a Cacique Café Solúvel construísse uma segunda fábrica na cidade. "A empresa dobrou a capacidade de produção."
O trabalho de atração de indústrias perdeu força em 1999, quando começou o escândalo AMA/Comurb, que culminou com a cassação de Belinati. "Em fevereiro de 1999, nós resolvemos dissolver o comitê. Não tínhamos como continuar. Não havia clima", recorda.
Os dois órgãos criados por Belinati se desintegraram sem que o município criasse a Lei instituindo o PDI, a agência de desenvolvimento e o parque industrial. "Interessante que, quando estávamos elaborando o plano, o pessoal de Maringá nos chamou para que fizéssemos uma apresentação. Hoje, Maringá tem seu Codem (Conselho de Desenvolvimento Econômico), é considerada uma das cidades mais atrativas do País e nós estamos nesta situação", lamenta. (N.B.)

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