Projeto quer acabar com efeito cascata do Pis-Pasep
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domingo, 24 de março de 2002
Agência Estado 
BrasíliaO projeto de lei ordinária que dará início à eliminação do efeito cascata na cobrança das contribuições sociais será apresentado nesta semana ao Congresso. A proposta transforma o PIS-Pasep, que atualmente recolhe 0,65% do faturamento das empresas em todas as etapas da cadeia produtiva, em um tributo sobre o valor agregado. Ou seja, a tributação em cada etapa de produção será feita com o desconto do que já foi tributado na etapa anterior.
Espera-se que o resultado dessa mudança será um aumento da competitividade dos produtos brasileiros em relação aos importados e um novo passo rumo à desoneração completa das exportações. É um começo realista da reforma tributária, afirmou o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Sérgio Amaral. Segundo ele, a medida se soma ao esforço do governo de aumentar as exportações de produtos elaborados para dar maior qualidade à balança comercial brasileira.
A cumulatividade das contribuições sociais penaliza os produtos industrializados, que passam por um maior número de etapas na cadeia produtiva e, em consequência, são mais tributados, ressaltou Amaral. O projeto de lei negociado nas últimas semanas entre o governo e o Congresso será apresentado amanhã na comissão especial da Câmara que estuda mudanças nas contribuições sociais. O texto está sendo finalizado pelo relator, deputado Mussa Demes (PFL-PI). O secretário da Receita Federal, Everardo Maciel, irá à comissão ainda nesta semana explicar os motivos que levaram o governo a concordar com a medida.
A solução completa do problema, no entanto, virá numa segunda etapa, quando a nova sistemática será estendida à Cofins equivalente a 3% do faturamento das empresas. Apesar do fim da cumulatividade das contribuições sociais se constituir no principal pleito do empresariado no âmbito da reforma tributária mais ampla, o Ministério da Fazenda resistia à alteração. Mas agora finalmente há uma convergência das posições do Executivo e Congresso acerca de como retirar a cumulatividade das contribuições sociais.
Todos concordam que as mudanças ocorram gradualmente para minimizar os riscos de queda na arrecadação e contestação das empresas na Justiça, disse o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Amaury Bier. Para manter o mesmo nível de receitas do PIS-Pasep (R$ 10,5 bilhão por ano), a nova alíquota da contribuição será de 1,65%, porém sobre uma base menor.


