Nos últimos anos, houve um crescimento significativo das atividades turísticas e de lazer na região do Limoeiro (zona leste), uma das mais bonitas da zona rural de Londrina, onde a natureza é um grande atrativo. Mas as iniciativas no sentido de explorar ainda mais esse potencial esbarram em um problema muito antigo, a má conservação da via que leva até lá. As condições dos quase 15 quilômetros de extensão dividem-se entre regular e péssimo.

Agora, um projeto da Prefeitura de Londrina em conjunto com a Câmara Municipal, o governo do Estado e o Ceal (Centro de Engenharia e Arquitetura de Londrina) prevê a revitalização, por partes, da Rodovia Major Achilles Ferreira Pimpão, o nome oficial da Estrada do Limoeiro.

Na última sexta-feira (22), o prefeito Tiago Amaral reuniu-se com vereadores que integram a Frente Parlamentar de Infraestrutura e Mobilidade das Estradas Rurais dos Distritos, Patrimônios e Vilas Rurais da Câmara Municipal de Londrina para discutir o projeto. Inicialmente, deve ser feita a readequação dos primeiros dois quilômetros da estrada, com recursos repassados via convênio firmado com a Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento, por meio do Programa Estradas da Integração. Por enquanto, segundo a prefeitura, há uma verba garantida de R$ 7 milhões, mas o valor total da obra ainda não foi informado.

A Estrada do Limoeiro começa na altura da pista do Aeroporto Governador José Richa e se estende até as margens do rio Tibagi. É uma localidade que concentra muitas propriedades rurais, condomínios fechados, pesque-pagues e restaurantes por onde chegam a circular, nos finais de semana, até dez mil veículos.

A pista simples, de mão dupla e sem acostamento, começa em estado regular próximo à Acel e vai ficando pior à medida em que se avança. O trecho de cerca de sete quilômetros logo após a Capela Santo Antônio é o mais perigoso. Ali, a pista fica ainda mais estreita, há pontos de alagamento, pouquíssima iluminação, falta sinalização, há áreas de desnível entre a pista e a margem e a capina e a roçagem deixam a desejar, o que prejudica a visibilidade dos motoristas. O tráfego é intenso aos sábados e domingos e os problemas de mobilidade se acentuam ainda mais nos períodos de plantio e de colheita da safra. Não raramente, é comum cruzar com tratores e caminhões circulando pela rodovia. Aquela região também está na rota de grupos de ciclistas que fazem o percurso inclusive à noite. Ou seja, a estrada construída há mais de 30 anos pelo DER-PR (Departamento de Estradas de Rodagem do Estado do Paraná) ficou pequena para comportar o avanço da região.

“São muitos problemas que precisam ser sanados com a manutenção da via, sem esperar o projeto (de revitalização), que vai trazer uma melhoria de fato para a mobilidade”, disse a presidente do Conselho da Estrada do Limoeiro, Rubia Carla Sterza Versoza.

Imagem ilustrativa da imagem Projeto prevê revitalização da Estrada do Limoeiro
| Foto: Roberto Custodio

Criado em março do ano passado, o Conselho da Estrada do Limoeiro é resultado da união de toda a comunidade e conquistou uma cadeira no Conselho Municipal de Planejamento e Gestão Territorial por meio do qual reivindica melhorias constantes junto a órgãos municipais, como as secretarias de Obras e de Agricultura. A entidade elaborou um relatório com um mapeamento da estrada feito por dois conselheiros. “A partir do momento em que a estrada for melhor cuidada, com manutenção mínima, e não estou falando da construção de uma nova via, mas da manutenção permanente, com certeza o turismo vai expandir muito mais. O potencial da região é muito grande”, afirmou Versoza.

Foi do Conselho da Estrada do Limoeiro que saiu uma petição junto ao Ceal para que o projeto de revitalização da via fosse inscrito em um edital de fomento aberto pelo Conselho Federal de Engenharia e Arquitetura. O projeto de Londrina, que prevê a ampliação de sete quilômetros da Estrada do Limoeiro, foi contemplado com um valor de R$ 100 mil.

A reportagem tentou ouvir o coordenador da Frente Parlamentar das Estradas Rurais da Câmara Municipal, vereador Régis Choucino (PP), mas não obteve resposta. A reportagem também solicitou, sem sucesso, detalhes do convênio a órgãos do governo do Estado.

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