Projeto prevê parceria com montadora
Não é de hoje que a Big Frango investe na produção de biodiesel. Inicialmente, a empresa começou testando o combustível alternativo em sua própria frota e, agora, foi fechado contrato com a Mercedes-Benz do Brasil para a realização de testes. O acordo prevê que por um ano três caminhões utilizem o biodiesel misturado ao óleo diesel. A proporção da mistura será aumentada gradativamente e a cada 60 dias os motores serão desmontados para análises. A expectativa é que os caminhões para os testes cheguem à empresa no próximo mês.
A Big Frango aguarda autorização da Agência Nacional do Petróleo (ANP) para utilização em toda a frota. A usina para produção do combustível foi montada na fábrica de subprodutos (graxaria) - instalada em Rolândia (25 km a oeste de Londrina) -, que processa vísceras, penas, cabeça e pés das aves. Há pouco mais de dois anos a indústria começou a processar o óleo de frango para transformação do biodiesel. Pouco tempo depois toda a frota utilizava 50% de biodiesel e 50% óleo diesel. No entanto, a valorização do óleo de frango - também usado em rações animais - no mercado desacelerou o projeto.
A empresa optou por comercializar esse produto e investir em novas alternativas. A proposta foi a aquisição da Botânica (empresa instalada em Londrina), que foi transformada na BF Ambiental. Os cerca de 60 mil litros de óleo de fritura recolhidos são processados e rendem cerca de 45 mil litros biodiesel. Esta produção ainda é utilizada em apenas seis caminhões da empresa, que rodam com metade de biodiesel e metade de óleo diesel. Um veículo já anda com 100% do produto vegetal. Segundo Eduardo Vilela Magalhães, diretor da BF Ambiental, os caminhões tiveram problemas no inverno. Com baixas temperaturas o filtro entope.
Produção
A produção do biodiesel não gera nenhum resíduo ao meio ambiente. Dulcídio Demarchi Júnior, técnico em química industrial e gerente da unidade, a fabricação do óleo deixa 20% de uma borra, rica em ácidos graxos (proteínas) e que é utilizada na ração animal. Outros 10% tem como resíduo a glicerina, utilização para geração de energia nas caldeiras da indústria. A usina instalada tem capacidade para processar cerca de 2 mil litros por hora, mas ainda não opera totalmente.
''A água é um bem escasso e esta realidade está bem mais próxima do que se imagina'', acrescenta Patrícia Gonçalves, da BF Ambiental. Segundo ela, também são bastante comuns a ocorrência de alergias e queimaduras na pele e em unhas de mulheres que costumam confeccionar sabão caseiro. (F.M.)





