Projeto prevê fim de déficit habitacional
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sexta-feira, 09 de novembro de 2001
Maigue Gueths<bR>De Curitiba 
Fazer um programa habitacional em larga escala, capaz de construir 600 mil residências populares por ano e reduzir o atual déficit habitacional brasileiro, estimado em 5,5 milhões de moradias, no prazo de oito anos. Essa é a proposta do projeto Casa 1.0. Trata-se de uma política nacional de habitação, desenvolvida pelo Construbusiness 2001 movimento nacional que reúne empresários do ramo da construção civil de todos os setores. Com o nome inspirado no sucesso dos carros populares, o projeto visa repetir a popularização das casas, desta vez com recursos do governo federal financiando a construção de moradias para a população com renda abaixo de cinco salários mínimos.
O projeto foi apresentado ontem, em Curitiba, a empresários do setor durante seminário promovido pelo Sinduscon/PR. Segundo o professor e economista Luciano Coutinho, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), um dos autores do projeto, o programa já foi apresentado ao governo federal em julho. Para colocá-lo em prática são necessários de R$ 5 bilhões a R$ 6 bilhões ao ano. O projeto prevê a construção de casas com 40 metros quadrados ao preço de R$ 7 mil a unidade.
''O projeto não envolve só dinheiro. Este valor pode ser diluído em terrenos, através dos municípios, em serviços de saneamento e urbanização'', diz. A idéia principal do projeto, segundo Coutinho, é a ''construção em larga escala'' para a classe de baixa renda, abandonada desde a extinção do BNH. Hoje, de acordo com ele, constrói-se 60 a 65 mil unidades habitacionais ao ano. ''Neste ritmo, para acabar com o déficit levariam 80 anos.''
O presidente da Caixa, Emilio Carazzai, que fez uma palestra no seminário sobre crédito imobiliário, falou sobre a necessidade do governo ter programas destinados às três camadas da população: baixa, média e alta. Ele enfatizou, no entanto, a necessidade de se criar alternativas para facilitar o acesso ''a casa própria para a população que recebe até três salários mínimos, que pode pagar no máximo R$ 20,00 por mês''.
Nesse sentido, ele lembrou que o programa de pagamento das diferenças devidas ao FGTS com os expurgos dos planos econômicos vai acarretar perdas para a carteira imobiliária. O fundo, de acordo com ele, garante aporte anual de R$ 6 a R$ 7 bilhões para o setor. O pagamento dos expurgos vai exigir a retirada de R$ 40 bilhões do fundo. ''A metade do necessário para cobrir o déficit habitacional de baixa renda do País'', comenta.


