A Taveri Participações e Serviços Ltda. protocolou semana passada na Prefeitura de Londrina, um projeto de subdivisão da área de 14 mil metros quadrados do antigo Ginásio de Esportes Colossinho (região central), em 22 lotes. A área é objeto de uma batalha entre a prefeitura e a rede supermercadista norte-americana Wal-Mart, que se arrasta há quase três anos. Em agosto de 2003, o prefeito Nedson Micheleti (PT) assinou um decreto declarando a área de utilidade pública. No local, seria construído o Teatro Municipal. No entanto, quatro meses antes, o grupo Wal-Mart havia assinado um compromisso de compra e venda do terreno por R$ 6 milhões com a Taveri.
Segundo a assessora imobiliária da Taveri, Sebastiana Maria Liz Wawelberg, a negociação da área, firmada em abril de 2003, com o Wal-Mart foi desfeita. ''Já fizemos um acordo e não temos mais compromisso nenhum em vender a área para eles (Wal-Mart), mas eles também podem comprar. Agora, ficar presa a uma aprovação da prefeitura para que eu possa mexer nesse dinheiro, não quero mais. Pagaram R$ 6 milhões e devolvi R$ 7 milhões corrigidos. O Wal-Mart comprou uma coisa e não pôde levar porque tinha que ter a aprovação do projeto (de construção do hipermercado no terreno) da prefeitura'', justificou. ''Não sei o que o Wal-Mart vai resolver, mas eles querem o projeto aprovado (pela prefeitura) e não vou ficar mais esperando, ainda mais depois que mudou a lei de zoneamento'', complementou, se referindo ao projeto de lei de autoria do Executivo, aprovado na Câmara de Vereadores em dezembro, que prevê a realização de um Estudo de Impacto de Vizinhança para empreendimentos de porte no centro da cidade.
Conforme o imobiliarista Abílio Medeiros, autor da ação popular que contesta o decreto de utilidade pública, se o projeto de subdivisão do terreno for aprovado pela Secretaria Municipal de Obras, o impasse jurídico perde a finalidade. ''Assim que a prefeitura der o sinal verde, a Taveri retira o projeto da construção do hipermercado e a ação perde o efeito'', afirmou. ''O que a Taveri tem interesse é viabilizar a venda do lote e havia um decreto de utilidade pública. A partir do momento que o prefeito anunciou que iria liberar o terreno, entramos com o projeto (de subdivisão), o que vai depender da aprovação da prefeitura.''
Em dezembro, um grupo de empresários doou 20 mil metros da antiga Anderson Clayton (região leste), para a construção do teatro. Na ocasião, o prefeito declarou que iria revogar o decreto de utilidade pública do Colossinho, quando formalizada a doação da área. De acordo com Medeiros, que irá comercializar os terrenos que terão entre 490 metros quadrados a 850 metros quadrados, ainda não foi definido o valor de cada lote. ''(O projeto de subdivisão) foi uma iniciativa da Taveri. Não teve pressão do Wal-Mart nem da prefeitura. Ela simplesmente quer vender o terreno.''
A assessoria de imprensa do Wal-Mart disse que grupo mantém a intenção de investir em uma unidade em Londrina ''independente de terrenos específicos''.

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