Projeto prevê criação de café para entrar na China
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terça-feira, 25 de junho de 2002
Agência Estado 
São Paulo - Exportadores de café descobriram a porta de entrada para o mercado chinês: redes de coffee shops. O Conselho Deliberativo de Política Cafeeira do Ministério da Agricultura e do Abastecimento, que reúne representantes do setor público e privado, está elaborando um projeto para a criação de uma rede de cafés, a exemplo da americana Starbucks. O nome ainda não foi definido, mas cogita-se algo como Café do Brasil, possivelmente em chinês.
Pelo projeto, a rede seria criada em associação com um empresário local, que ficaria a cargo do negócio. O investimento por parte do Brasil deve ser feito em mercadoria, com as seis milhões de sacas que o programa Funcafé tem em estoque.
A China descobriu a bebida muito recentemente e hoje consome 300 mil sacas de café por ano - isso equivale ao que o Brasil consome em apenas uma semana. Lá, o consumo está associado a um estilo de vida moderno e concentra-se, quase exclusivamente, nas coffee shops. Só a rede Starbucks possui, em Xangai e Pequim, 130 lojas. O chinês não bebe café em casa, afirma Guilherme Braga, diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café Verde do Brasil (Cecafé). Se quisermos conquistar esse mercado com um produto de maior valor agregado, temos de explorar o ponto-de-venda.
A idéia da rede de cafés ganhou uma certa urgência depois que a atriz Lucélia Santos foi a Brasília, no mês passado, apresentar um projeto de uma minissérie a ser exibida na China. Com 25 capítulos, O Amor do Outro Lado da Terra, terá a produção de café no Brasil dos imigrantes como pano de fundo.
A atriz - que por causa da exibição de Escrava Isaura, em 1976, se transformou em celebridade na China - foi em busca de apoio governamental e patrocínio dos produtores de café. A minissérie tem um potencial enorme de alavancar as vendas, diz Braga.


