Projeto pode mandar 85 mil caminhões para reciclagem
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quinta-feira, 05 de dezembro de 2013
Nelson Bortolin<br>Reportagem Local 
Tirar de circulação os caminhões com mais de 30 anos de fabricação é o objetivo de um projeto de renovação de frota entregue dia 25 de novembro ao governo federal pelas entidades que representam fabricantes de veículos e transportadoras. No caso do Paraná, há 85.547 caminhões e cavalos tratores nesta condição, segundo o Departamento Estadual de Trânsito (Detran), o que representa 26,8% do total.
De acordo com o presidente da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), Flávio Meneghetti, o programa é voltado aos caminhoneiros autônomos. E a proposta é que recebam um vale de R$ 30 mil por veículo entregue para a reciclagem. Eles também contariam com condições especiais garantidas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para financiar a diferença entre o valor deste vale e o de um caminhão seminovo ou novo.
"Se forem substituídos 30 mil caminhões por ano, o custo será de R$ 900 milhões, o que não é nada perto das despesas decorrentes de acidentes causados por esses veículos velhos", afirma. De acordo com Meneghetti, os acidentes custam algo em torno de R$ 4 bilhões por ano ao SUS. E a economia de combustível que os novos caminhões trariam é algo próximo desse valor.
Segundo o presidente da Fenabrave, o Brasil ainda não tem política de reciclagem de veículos, mas está na "hora de enfrentar esse problema". "Há muita coisa para se reaproveitar nos caminhões, como aço, ferro, lata, borrachas", destaca.
O Sindicato dos Caminhoneiros Autônomos (Sindicam), de Londrina, não tem o mesmo entusiasmo que o representante das concessionárias. Segundo o presidente da entidade, Carlos Roberto Delarosa, nem mesmo com os benefícios previstos no projeto os motoristas terão condições de arcar com o financiamento. "Quem tem esses caminhões tão antigos não tem renda para assumir prestação. Além do mais, os autônomos estão numa fase muito ruim porque os embarcadores estão preferindo contratar pessoas jurídicas", declara.
O presidente do Sindicato dos Transportadores Autônomos de Cargas de Ponta Grossa e Campos Gerais (Sinditac), Neori "Tigrão" Leobet, é mais otimista. Para ele, os donos de veículos antigos não conseguem bons fretes justamente por causa da situação do caminhão. "Com veículo mais novo, eles vão conseguir melhorar a renda e poderão pagar a prestação", afirma.
Tigrão diz que irá apresentar ao governo federal um projeto estendendo aos caminhoneiros as isenções de impostos dadas aos taxistas para compra de veículos.
Segundo a Confederação Nacional de Transporte (CNT), os caminhões antigos estão envolvidos em 25% dos acidentes graves ocorridos no País. E entre um caminhão antigo, com mais de 30 anos, e um moderno, com tecnologia de controle de poluentes, há uma redução de 87% nas emissões de carbono, 81% nas de hidrocarbonetos, 86% nas de óxido nitroso e 95% de materiais particulados.



