Projeto orienta brasileiros que ganham dinheiro no Japão
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segunda-feira, 30 de julho de 2007
Adriana Ito<br>Reportagem Local 
Os dekasseguis, ou brasileiros que trabalham no Japão, são responsáveis pelo envio de US$ 2,5 bilhões (cerca de R$5 bilhões) anuais para o Brasil. Boa parte desse dinheiro é destinada a investimentos diversos, como a compra de imóveis e a abertura de uma micro ou pequena empresa.
Porém, a falta de planejamento e conhecimentos em gestão de empresas acabam levando boa parte desses novos empreendedores à falência. Infelizmente, essa situação é mais comum do que se imagina. Segundo dados do Serviço de Apoio à Pequena Empresa (Sebrae), 62% das empresas abertas por ex-dekasseguis acabam falindo - a média nacional é 49%. O número foi divulgado em entrevista coletiva com o gerente da Unidade de Atendimento Individual do Sebrae Nacional, Enio Pinto, e o presidente do Sebrae, Paulo Okamotto, durante o Festival do Japão, realizado em São Paulo.
A falta de planejamento e o amadorismo na gestão devido à falta de experiência e formação teórica são alguns fatores apontados como causas desse elevado número de falências. ''30% dos empreendedores no Brasil acham que não precisam se capacitar. A média no Japão é mais ou menos semelhante, mas lá há o agravante da falta de tempo para tanto'', explicou Okamotto.
Para tentar reverter esse quadro, o Sebrae criou, em 2005, o programa Dekassegui Empreendedor. Através dele, o Sebrae Nacional já realizou cerca de 46 mil atendimentos presenciais e a distância entre setembro de 2006 e junho de 2007. ''Só no Paraná, o Sebrae atende cerca de 300 pessoas ao mês'', complementou o coordenador do programa no Paraná, Marcos Aurélio Gonçalves. Segundo Gonçalves, estima-se que os nipo-brasileiros enviem em média US$ 600 milhões por ano só para o Estado.
O presidente do Sebrae esclareceu que a meta do programa é atender um total de 10 mil dekasseguis até 2009, além de incentivar a abertura de pelo menos mil novas empresas. ''Esses brasileiros que vão para o Japão são empreendedores, corajosos, e não têm preguiça de trabalhar. Através deles, queremos criar uma nova geração de empreendedores'', justificou Okamotto.
O programa Dekassegui Empreendedor foi criado pelo Sebrae Nacional para tentar reduzir o índice de falências entre os dekasseguis, oferecendo-lhes apoio técnico, educacional e gerencial na implantação de negócios. Para tanto, o projeto atende não só os trabalhadores brasileiros que já estão no Japão, mas também os que se preparam para ir e os que já retornaram. O Dekassegui Empreendedor tem parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), o Fundo Multilateral de Investimentos (Fumin) e a Associação Brasileira de Dekasseguis (ABD), e direciona suas atividades principalmente nos estados do Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Pará.
''É uma ferramenta extraordinária. Nós queremos melhorar a nossa metodologia e sistematizá-la, para depois aplicar esses conhecimentos em outros países com grande concentração de brasileiros, como os Estados Unidos'', projetou Okamotto.


