Projeto no Rio Ribeira atinge 3 cidades do PR
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segunda-feira, 27 de novembro de 2006
José Maria Tomazela<br> Agência Estado 
Ribeira - Dezoito anos depois, a Usina Hidrelétrica do Tijuco Alto, que a Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), do Grupo Votorantim, quer construir no Rio Ribeira, na divisa de São Paulo com o Paraná, não saiu do papel e está custando 50% mais caro.
Quando a obra foi projetada, em 1998, a previsão de gastos era de R$ 330 milhões. Hoje, o custo atinge R$ 500 milhões, segundo os cálculos da empresa. Em todo esse tempo, o projeto passou por vários órgãos ambientais e sofreu inúmeras mudanças.
Um novo estudo de impacto ambiental está sendo analisado pelo Ibama. A cada dia que passa, aumenta o custo da obra e a descrença dos moradores nos cinco municípios que seriam atingidos pela hidrelétrica - Ribeira e Itapirapuã Paulista, em São Paulo; Adrianópolis, Cerro Azul e Dr. Ulysses no Paraná.
''É um exemplo de como a legislação ambiental pode tirar as chances de desenvolvimento de uma região'', disse o vereador e ex-prefeito Luiz Antonio Dias Batista (PSDB), de Ribeira, a 360 km de São Paulo. Segundo ele, em quase duas décadas de expectativa, muita gente deixou de investir. A cidade perdeu 2 mil empregos e voltou a sofrer com o êxodo dos moradores. A região, que é a mais carente do Estado, está ainda mais pobre. ''Nossa renda per capita é inferior ao salário mínimo'', afirma Batista.
O tempo conspira contra os planos da CBA. Até 1998, a empresa adquiriu 8.600 hectares e reassentou os moradores de 377 imóveis que estavam em áreas a serem inundadas. Na época, faltava retirar e assentar 60 famílias. Em levantamento feito no ano passado, a empresa constatou que o número de famílias subiu para 578. Donos de terras serão indenizados e posseiros reassentados.
A barragem vai formar um lago com 56,5 km2 de superfície e 71,5 km de extensão, atingindo os municípios de Ribeira e Itapirapuã Paulista, em São Paulo; Adrianópolis, Cerro Azul e Dr. Ulysses no Paraná. As prefeituras vão ratear R$ 785 mil em royalties por ano.
A usina gerará 128,7 megawatts de energia para abastecer a fábrica de alumínio da CBA no município de Alumínio, região de Sorocaba. O projeto visa ao aumento de produção da unidade, que em 2007 passa de 400 mil para 470 mil toneladas por ano de alumínio metálico. A CBA, que tem 13 hidrelétricas próprias e três consorciadas, quer produzir pelo menos 60% da energia que consome.


