A coordenação do Programa Fome Zero em Londrina iniciou ontem no município, o mapeamento dos grupos de geração de renda. A iniciativa faz parte do projeto ''Economia Solidária'', criado para atender comunidades envolvidas em processos produtivos artesanais como crochê, tricô, produtos de limpeza, alimentação e reciclagem, cuja renda varia atualmente entre meio e um salário mínimo por família.
Somente na tarde de ontem, foram cadastrados cerca de 80 grupos de produção, que foram ao Teatro Filadélfia (área central) para assistir à palestra da assistente social Sandra Maria Magalhães, assessora do Banco Palmas, projeto de economia solidária da comunidade das Palmeiras, de Fortaleza (CE). O Banco de Palmas, dispõe de uma carteira de empréstimos de R$ 35 mil mantida por instituições internacionais. ''Emprestamos dinheiro com juros populares. E o importante não é ter esse dinheiro de volta, mas sim ver as pessoas trabalhando'', diz Sandra.
Segundo Roberto Gonçalves, coordenador do Programa Fome Zero de Londrina, o projeto ''Economia Solidária'' vai fornecer informações para que a Prefeitura possa auxiliar de forma mais efetiva o desenvolvimento das pequenas indústrias das regiões periféricas da cidade, consideradas atualmente como informais. Além de ajudar essas indústrias na expansão de mercado, o projeto deve avaliar possiblidade de empréstimos, oferecer cursos de capacitação e fomentar a troca de experiências. ''Com o mapeamento dos grupos produtivos da cidade, saberemos quantos são, como e quanto produzem''. Segundo Gonçalves, ainda não é possível estimar quanto economia informal movimenta na cidade.
A renda média das famílias que vivem da economia informal em Londrina é de um salário mínimo (R$ 240,00). Mas o objetivo do grupo Só Capas, que envolve dez famílias do Parque Universidade (zona oeste) na produção de capas para celuluares e carros - é aumentar essa renda para R$ 800,00. ''Já temos o projeto de produção, pessoas com experiência e o espaço para a indústria. Só falta a Prefeitura nos ceder as máquinas para o início do trabalho'', afirma Donizete dos Santos, coordenador do Só Capas. E com renda ainda menor (cerca de meio salário mínimo por família), o grupo Renascer da Cidadania, no Jardim João Turquino, também na zona oeste, espera receber subsídios para desenvolver seus projetos de reciclagem de lixo e produção de produtos de limpeza. ''Todos somos desempregados. Se pudermos expandir um pouco nossas vendas, seria muito bom'', diz Evangelina Maria Inácio, coordenadora do Renascer da Cidadania.

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