Entre os consumidores, a opinião é de que principalmente os idosos têm mais resistência a utilizar o cartão como forma de pagamento
Entre os consumidores, a opinião é de que principalmente os idosos têm mais resistência a utilizar o cartão como forma de pagamento | Foto: Shutterstock



Cafeara - Usar o cartão de débito ou crédito pode parecer algo corriqueiro nos dias atuais, mas em algumas localidades do País ainda não é. Em Cafeara, município com 2.800 habitantes a 145 km de Londrina, grande parte da comunidade prefere a caderneta ou o dinheiro na hora de fazer as compras e o uso do cartão ainda é incipiente. Os comerciantes, aos poucos, vão adotando a tecnologia, como forma inclusive de melhorar o recebimento.

Proprietário de um supermercado, Carlos Roberto conta que implantou o equipamento há cerca de dois meses. "Tive que colocar porque fiado não dá mais. Cerca de 80% das vendas são feitas na caderneta e desses, cerca de 10% não paga em dia. Com a máquina acredito que vamos resolver. Tenho que continuar vendendo na caderneta porque caso contrário os clientes mais antigos não vão querer mais comprar, mas queremos diminuir esse tipo de venda", explica.

A opinião é compartilhada por Roseli Gregório Turosi, proprietária de uma padaria. Ela contou que nunca teve problemas com assaltos, mas se sente mais segura fazendo a venda e recebendo de forma eletrônica. "Já temos a máquina há algum tempo, mas as pessoas precisam aprender a usar, grande parte dos nossos clientes prefere marcar. Existem os bons fregueses que pagam, mas há também aqueles que não pagam. As pessoas precisam só se acostumar com o cartão, quem vem de fora já usa. Temos que pagar a taxa da máquina, mas preferimos assim, já que recebemos na hora."

Entre os consumidores, a opinião é de que principalmente os idosos têm mais resistência a utilizar o cartão como forma de pagamento. "Eles preferem usar a caderneta. Já os comerciantes não querem ter a máquina para não ter que pagar a taxa", reclama Admilson Jonas Berra, autônomo.

O aposentado Dárcio Guastaba diz que não tem dúvidas na hora de utilizar o cartão, mas reconhece que, por desconhecer a tecnologia, os mais velhos tendem a não querer usar o dinheiro de plástico. "Minha sogra mesmo gosta de retirar o dinheiro no banco, achamos perigoso por causa de assalto, mas ela não entende como o processo funciona, ela não entende como passamos o cartão e o dinheiro vai parar na conta da outra pessoa. Acho positivo o uso do cartão, aqui temos apenas um entreposto bancário e já tivemos caixas eletrônicos explodidos", disse.

Perfil
Justamente por seu perfil socioeconômico Cafeara foi escolhida para um projeto-piloto conjunto da cooperativa Sicredi União PR/SP e Visa, focado na disseminação da cultura da utilização de cartões e inibição do uso de dinheiro. Uma festa,com renda revertida para a reforma do telhado da igreja e para a Apae, foi organizada recentemente no município e quem compareceu ao evento recebeu um cartão pré-pago para ser usado exclusivamente nas barracas de alimentos e brincadeiras.

Rogério Machado, diretor executivo da Sicredi União, justificou a escolha de Cafeara. "Os pequenos estão desassistidos pelas instituições financeiras. Trazemos tecnologias de ponta, mas precisamos que as pessoas entendam o processo. Sabemos que todo recurso em espécie tem um custo muito alto, de transporte e segurança. As pessoas precisam se acostumar, todos usam cartão hoje, é uma questão cultural. Aqui estamos trazendo um desenvolvimento econômico e a ideia é que seja um modelo", afirmou.

Em março deste ano, Cafeara recebeu uma agência digital que disponibiliza todos os serviços oferecidos pela instituição financeira, mas não há caixas e nem dinheiro em espécie. Ao se instalar, a Sicredi União distribuiu gratuitamente máquinas para pagamentos em todo o comércio; realizou cursos e oficinas sobre educação financeira; disponibilizou cartões de crédito e de débito para a população sem anuidade; entre outras ações que visam facilitar o trânsito do dinheiro eletrônico.

Com as ações, a expectativa segundo Machado é ultrapassar os mil associados no município. "Mas [o objetivo] não é a quantidade de pessoas, mas a proposta que temos para a comunidade como uma instituição financeira cooperativa, como podemos fazer negócios juntos e agregar valor para a comunidade."

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