Projeto incentiva estágio nas empresas
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 13 de novembro de 2000
Leonardo Goulart Da Agência Estado 
Os universitários do País terão, a partir do início do ano que vem, novas possibilidades de estágios remunerados em grandes e pequenas empresas paulistas por causa do projeto Universitário Empreendedor, uma parceria da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo (Sebrae-SP) e Centro de Integração Empresa-Escola (Ciee).
O objetivo do projeto é estimular a capacidade empreendedora dos estudantes para a formação de novas pequenas empresas ou a melhoria dos produtos das existentes. Podem participar alunos que estiverem cursando o penúltimo ou o último ano da faculdade. Serão, numa primeira etapa, 100 selecionados para trabalhar em 10 grandes empresas e 40 pequenas.
Segundo a coordenadora do programa Jovem Empreendedor, do Sebrae-SP, Heloísa Calil, o aumento do número de participantes ainda não foi estudado, mas, dependendo do interesse de mais empresas de ingressarem na iniciativa, os casos vão ser avaliados. Vamos analisar um por um, diz.
O acordo será oficializado hoje pelas instituições e visa inserir os estudantes no processo de produção e administração das companhias, numa alternância entre as empresas de grande porte e suas fornecedoras, pequenas e médias, mais carentes de mão-de-obra qualificada.
Durante o tempo que passar pelas companhias, seis meses para cada empresa, em dois anos de estágio, os estudantes irão elaborar um projeto de negócio, ou business plan, que será julgado por uma banca examinadora e concorrerá ao prêmio Universitário Empreendedor, com direito a hospedagem em uma unidade das 14 incubadoras mantidas pela Fiesp e pelo Sebrae-SP em todo o Estado. Ainda não está definido, no entanto, quantos projetos serão contemplados. A coordenadora do Sebrae-SP diz que o número de premiados vai depender da quantidade de empresas e estagiários participantes.
O papel de cada uma das três instituições já está bem definido: o Ciee faz a seleção dos universitários e os encaminha para o Sebrae, responsável pelo treinamento dos jovens por meio do programa Jovem Empreendedor que, após o período de capacitação, com 96 horas de curso, serão encaminhados para a Fiesp, que determinará onde eles vão trabalhar.
Os alunos participantes serão selecionados nos meses de dezembro e janeiro. A expectativa, de acordo com Heloísa, é de iniciar o projeto em fevereiro. Queremos, com a iniciativa, que eles considerem a possibilidade de terminar o estudo e montar a própria empresa, diz Heloísa.
O diretor do Departamento de Desenvolvimento da Micro e Pequena Empresa da Fiesp (Desempi), Ermano Marchetti, ressalta que o estudante vai ser uma espécie de ligação entre a grande e a pequena empresa. O projeto, acrescenta, será importante porque vai levar futuros empreendedores à aplicação prática do aprendizado acadêmico. Se você disser para o estudante fazer estágio numa pequena empresa ele não vai querer, porque o objetivo dele é ir para uma grande companhia. Precisávamos criar algo que o motivasse a ir para as pequenas, diz Marchetti. Algumas empresas, conta, já foram contactadas e a receptividade ao programa foi considerada satisfatória.
Marchetti ressalta que o projeto visa a atacar três pontos problemáticos nas indústrias brasileiras: formação de preço, administração financeira e planejamento estratégico. A má utilização desses processos atrapalha nossas empresas.
Os contratos de admissão, segundo o diretor do Desempi, serão definidos pelas empresas, que serão responsáveis pelo pagamento da bolsa-auxílio aos estudantes. O valor vai depender do porte da empresa e da carga horária do estagiário, diz.
O objetivo do Ciee na parceria, segundo a gerente educacional da entidade, Sylvana Rocha, é estimular novos empreendimentos em São Paulo e, futuramente, também em outros Estados. Estamos contribuindo para o desenvolvimento da pequena empresa e da capacidade do jovem, diz.
Segundo ela, cabe à instituição o recrutamento, seleção e assessoria às empresas na contratação do estudante, além da sensibilização de seus diretores para o treinamento dos estagiários. A seleção, diz, vai ser de acordo com o perfil do estudante e não terá restrições para cursos e universidades.
Podem participar todos aqueles que estudem em faculdades voltadas ao ensino de técnicas aplicáveis nas indústrias, explica, referindo-se a cursos como administração e engenharias de produção, alimentação, química, entre outras.
Ela acredita que os resultados do programa serão benéficos para todos os envolvidos. O aluno vai estar em contato e aprender sobre a realidade de uma empresa, enquanto estas irão melhorar a qualidade dos produtos, diz. Muitas empresas vão ganhar, além de ser uma forma de ajudar o jovem a se inserir no mercado de trabalho, ressalta Sylvana.
Os estagiários terão acompanhamento da Fiesp e do Ciee durante os dois anos de duração do programa, com assessoria e visitas técnicas, para a avaliação final. As entidades prometem que todos os planos de negócios elaborados durante o Universitário Empreendedor serão aproveitados, incluindo aqueles que não forem premiados.


