Um dos destaques da programação do 28º Congresso Brasileiro de Ciência do Solo, ontem, foi a palestra do pesquisador Andrew J. Simpson, do Instituto Ludwig de Pesquisa de Câncer, de São Paulo. Simpson é coordenador do projeto de sequenciamento do primeiro genoma de uma bactéria de relevância para a agricultura, a Xyllela fastidiosa, presente em alta porcentagem nos pomares de laranja do Estado de São Paulo. Atualmente, o grupo trabalha na pesquisa de uma variação da bactéria que atinge as plantações de uva dos Estados Unidos.
Os trabalhos comandados pelo pesquisador – executados por um consórcio de pesquisadores e financiados pela Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) – também já sequenciaram o genoma da Xanthomonas citri, responsável pelo cancro cítrico. Segundo Simpson, com o estudo comparativo destes genomas será possível dar um grande passo na ciência, que será entender os processos de infecção causados pelas bactérias.
Em dezembro, o pesquisador também passou a coordenar o projeto Genoma Brasileiro, do qual fazem parte 25 laboratórios do País, entre eles o da Embrapa Soja, de Londrina, e os da Pontifícia Universidade Católica (PUC) e Universidade Federal do Paraná (UFPR), ambas de Curitiba. A primeira bactéria a ser sequenciada pelo projeto é a Chromobacterium violaceum, muito comum no Rio Negro, na região amazônica.
De acordo com Simpson, a bactéria tem ação antibiótica, e pode ser usada no combate ao mosquito da malária. Além disso, é capaz de produzir um tipo de plástico biológico. ‘‘Trata-se de uma bactéria fascinante’’, resume o pesquisador. Ele afirma que o objetivo é finalizar seu sequenciamento até o mês de outubro.
Andrew Simpson afirma que além de possibilitar a descoberta de genes importantíssimos e a obtenção de suas patentes, o Projeto Genoma tem permitido ao Brasil uma verdadeira revolução no campo da biologia, que estende-se para os mais diversos setores, como medicina e agricultura. ‘‘É uma ciência de implicação comercial, e o Brasil assimilou esta ciência’’, diz ele, lembrando que este é o caminho para o País tornar-se livre da dependência tecnológica. Segundo o pesquisador, o custo total do projeto Genoma Brasileiro é de US$ 5 milhões. O investimento feito pelo Brasil até agora é R$ 11 milhões.(S. L.)

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