'Projeto Foxconn' é estratégico para Londrina e Maringá
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segunda-feira, 13 de junho de 2011
Luciano Augusto <br> Reportagem Local 
O plano era aprontar um dossiê que servisse como um cartão de visitas para apresentar Londrina e Maringá na disputa pelo investimento de R$ 12 bilhões que a gigante taiwanesa de tecnologia, Foxconn, pretende realizar no Brasil nos próximos cinco anos para fabricação de iPads. No entanto, o planejamento alcança uma dimensão estratégica para o Norte e Noroeste do Estado na medida em que, ao apontar as vantagens e deficiências da região, poderá facilitar futuras negociações com outros investidores. Já há uma movimentação, por exemplo, para tentar captar investimentos de médias empresas japonesas de tecnologia que têm interesse em se instalar no Brasil.
Batizado de ''Projeto Foxconn'', o planejamento começou a ser feito há algumas semanas e deverá ser concluído até o final deste mês, quando será apresentado oficialmente para a comissão do Ministério da Ciência e Tecnologia que negocia diretamente com a Foxconn, na China. A coleta de dados é feita pelo Instituto de Desenvolvimento de Londrina (Codel) e pelo Conselho de Desenvolvimento de Maringá (Codem) enquanto o projeto, propriamente dito, está a cargo da Agência Terra Roxa de Investimentos.
Sem detalhar as ''informações estratégicas'', diretor-executivo da Terra Roxa, Alexandre Farina, disse que o ''Projeto Foxconn'' vai trabalhar demandas específicas para o empreendimento como disponibilidade de infraestrutura (acesso aéreo e rodoviário, grandes áreas disponíveis), mão de obra qualificada e indicadores econômico-sociais (segurança, acesso à tecnologia, grau de escolaridade, entre outros). Farina adiantou que a ideia é vender Londrina e Maringá como grandes cidades que podem atuar em conjunto. ''Pretendemos concorrer como metrópole linear, enquanto os outros concorrem como município ou estado isolados, e vamos sugerir a distribuição das unidades da Foxconn pela região'', destacou o diretor, completando que a estratégia pode representar ganhos em termos de distribuição de insumos e reunião de mão de obra.
Farina adiantou que o ''Projeto Foxconn'' vai destacar que a região tem grandes terrenos disponíveis para abrigar as plantas industriais. Outro ponto positivo é que Londrina e Maringá formam perto de 100 mil profissionais em nível superior por ano. Outra vantagem é que a rede de cabeamento ótico da Copel pode ser adequada com facilidade para servir à indústria. Por fim, Farina destaca que a região tem média salarial de 20% a 30% menor do que São Paulo.
De outro lado, os maiores gargalos da região são os aeroportos, embora o Aeroporto de Maringá já tenha estrutura para receber aviões cargueiros internacionais. O ''Trem Pé Vermelho'', ligando Londrina a Maringá, também pode ser uma vantagem muito interessante se o projeto sair do papel.
Para Farina, o maior desafio é com relação à guerra fiscal entre os Estados. ''Não sei se vai ser resolvida (até que o investimento da Foxconn seja definido), mas a ocasião perfeita poder ser agora, entre 6 e 8 julho, em Curitiba, durante a reunião do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz)'', comentou o diretor. Ele lembrou, no entanto, que a política do Paraná não deve sofrer mudanças porque os incentivos não isentam mas postergam o pagamento dos impostos.
Por tudo isso, Farina destacou que o planejamento estratégico preparado tem uma visão de longo prazo para atingir objetivos que não eram pensados até então. ''A Foxconn veio num momento oportuno e foi a centelha de nova fase de maturidade e de pensamento regional. Mesmo se não viabilizarmos a Foxconn já terá valido a pena porque foi possível sentarmos para discutirmos soluções conjuntas'', concluiu.


