Seis meses recebendo meio salário mínimo de bolsa-auxílio e aulas oferecidas por empresas poderão representar o futuro profissional de pelo menos 260 jovens londrinenses entre 15 e 21 anos, que serão selecionados para o projeto Escola de Fábrica, do governo federal. O Ministério da Educação deve investir R$ 25 milhões em todo o Brasil, contando com o evolvimento dos empresários.
O projeto foi apresentado ontem na Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), durante um café da manhã e, de início, conta com a participação de 13 empresas. O Sindicato dos Professores Particulares de Londrina (Sindpro) é o gestor do projeto na cidade e a Universidade Federal do Paraná (UFPR), através da Escola Técnica, treinará profissionais das empresas para atuarem como professores.
Além do espaço físico para as aulas, os empresários ainda ficarão responsáveis pelo uniforme e lanche para os alunos, que frequentarão o projeto no contraturno escolar. Cento e oitenta propostas foram inscritas no projeto em todo o país, sendo selecionadas 79 na primeira fase.
Para participar do projeto, o jovem precisa estar cursando o ensino regular na rede pública de ensino. A renda familiar não poderá ser superior a um salário e meio. ''Não são apenas empresas grandes que podem participar do projeto. No Nordeste, por exemplo, vários pequenos empresários formaram um pool para participar'', afirmou o diretor do Sindpro, Ricardo Prochet.
Cada turma terá 20 alunos e a expectativa é de que até abril, as aulas comecem. Além de Português, Matemática e outras disciplinas tradicionais, os alunos ainda aprenderão sobre Ética, Saúde, noções teóricas e práticas sobre uma atividade profissional.
Prochet lembra que a escolha dos jovens para o projeto será feita pelas empresas. Um dos critérios poderá ser a área de abrangência em que a empresa está instalada. ''O Sindpro também colocará à disposição dos empresários, psicólogos para selecionar os jovens de acordo com o perfil e as necessidades das empresas'', ressaltou.
Ao treinar professores para o projeto, a UFPR também avaliará os resultados, certificando os alunos na conclusão do curso de 450 horas. ''O governo está dando um incentivo para que as empresas continuem esse serviço'', avaliou Gerson Rodrigues Sobreira, representante da Escola Técnica da UFPR.
Os empresários que aderiram ao projeto apostam na contrapartida social. ''Na realidade veio culminar com a necessidade que a empresa tem de responsabilidade social. Sentimos necessidade de fazer algo nessa área. Nada mais que preparar as pessoas para encontrar uma atividade. Tiraremos a criança da rua, colocando dentro da sala de aula'', considerou o empresário Decarlos Manfrin.

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