Devido à apresentação de uma emenda, o projeto 358/2012, que permite a instalação de um hipermercado Angeloni na Avenida Madre Leônia, saiu de pauta por sete dias. Nesta sexta-feira, o autor do projeto, o presidente da Câmara Municipal de Londrina, Rony Alves (PTB), vai conversar com moradores da Gleba Palhano (zona sul) para tentar diminuir a resistência que eles apresentam à proposta.
O projeto muda o zoneamento da Rua Ulrico Zuinglio de zona residencial 4 (ZR4) para zona comercial 3 (ZC3). A rua é paralela à Madre Leônia e a mudança é necessária para permitir a entrada de caminhões para o hipermercado. Parecer do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul) diz que os veículos não devem entrar pela Madre Leônia devido ao tráfego no local.
Ontem, moradores da Palhano foram à Câmara protestar contra o projeto. Eles alegam que o tráfego de caminhões na Ulrico Zuinglio irá tirar o sossego na região. "Imagina as crianças brincando com carga e descarga desses veículos", reclamou a moradora Alessandra Resquetti.
Eles querem a realização de uma audiência pública para discutir o empreendimento, mas o autor e presidente da Casa não pretende realizá-la. "Nunca em Londrina foi feita uma audiência pública para alterar zoneamento para instalar supermercado", disse Alves.
Para Misael Domingues, outro morador da região, a discussão sobre o projeto está sendo feita de forma "atropelada". "Vocês estão discutindo um Plano Diretor da cidade. Por que o atropelo agora?", questionou. Ele e Alessandra foram convidados a falar durante a sessão de ontem.
Nelson Vicente, engenheiro responsável pelo projeto do hipermercado, também se pronunciou no plenário. Segundo ele, o grupo Angeloni só comprou os lotes residenciais aos fundos da Madre Leônia porque o Ippul determinou a entrada dos caminhões por lá.
De acordo com Vicente, o projeto prevê espaço para "sete carretas de grande porte" estacionarem ao mesmo tempo. "O empreendimento trabalha com descarregamento agendado. São quatro docas que fazem o serviço simultaneamente. Além delas, ainda há espaço para outros três caminhões no pátio. Não vai ficar nenhum veículo do lado de fora", afirmou. Em relação ao aumento de tráfego na Madre Leônia, o engenheiro garantiu que será "muito menor" do que se fossem construídos apartamentos residenciais no terreno.

Emenda
Falando em nome dos moradores, o vereador Jamil Janene (PP) apresentou uma emenda determinando que a entrada de caminhões seja feita pela Madre Leônia e o terreno seja murado aos fundos. Ele afirmou que sua emenda é "para resolver o problema" e não para tumultuar a tramitação do projeto.
Questionado sobre o parecer do Ippul que determinada a entrada pela rua de trás, Jamil respondeu: "Não quero entrar no mérito do parecer, que qualquer um pode fazer. Eu quero ouvir os moradores."
Após a apresentação da emenda, a sessão foi suspensa para que a Comissão de Justiça avaliasse a novidade. Mas o grupo se recusou a dar seu parecer ainda ontem. "Não dá para analisar isso às pressas", explicou a vice-presidente da comissão, Lenir de Assis (PT). Sem o parecer, o projeto não pode ir à votação.

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