Projeto de privatização da Sercomtel é enviado à Câmara
Proposta de “alienação de participação societária”, que ainda terá que passar pelas comissões internas do Legislativo, deverá ser feita por meio de leilão. Chefe do Executivo afirma que desestatização é “medida extrema” para evitar a cassação da licença da empresa pela Anatel
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quarta-feira, 10 de abril de 2019
Proposta de “alienação de participação societária”, que ainda terá que passar pelas comissões internas do Legislativo, deverá ser feita por meio de leilão. Chefe do Executivo afirma que desestatização é “medida extrema” para evitar a cassação da licença da empresa pela Anatel
Nelson Bortolin - Grupo Folha 

O prefeito Marcelo Belinati (PP) encaminhou no fim da tarde dessa terça-feira (9) à Câmara Municipal o projeto de lei que permite a privatização da Sercomtel. A proposta, que ainda não foi distribuída às comissões internas do Legislativo, diz que a “desestatização deverá ser realizada através da alienação de participação societária, inclusive de controle acionário, por procedimento de licitação, sob a forma de leilão em bolsa de valores ou outros meios legalmente previstos.”
Na justificativa do projeto, o Executivo diz que a desestatização é “medida extrema” para evitar a cassação da licença da empresa pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações). Em 2017, o órgão regulador abriu um processo que pode terminar na caducidade da concessão da operadora. Esse processo está suspenso por 120 dias contados a partir de 25 de março, para que os sócios da Sercomtel – o Município de Londrina e a Copel – apresentem solução definitiva para empresa que há muitos anos apresenta dificuldades financeiras.
O texto da justificativa também diz que a Anatel cobra um aporte de recursos na operadora e que a Copel – que detém 45% das ações ordinárias – tem se manifestado “de forma reiterada que não pretende investir na Sercomtel”. Pelo contrário, lembra que a companhia estadual deseja privatizar seu braço nas telecomunicações, a Copel Telecom.
No projeto enviado à Câmara, o Executivo veda alteração da denominação, do objeto social e a mudança da empresa para outra cidade. E diz que ficam garantidos ao Município de Londrina todos os direito sobre a Sercomtel Iluminação e a Sercomtel Contact Center.
Em entrevista à FOLHA, o prefeito Marcelo Belinati diz que continua insistindo na alternativa que seria o aumento da parceria com a Copel. “O governador Ratinho Júnior e o presidente da Copel Daniel Slaviero estão sensíveis à situação da Sercomtel para que a gente encontre um caminho que seja melhor para a cidade de Londrina. Como temos um prazo estabelecido pela Anatel, o que estamos fazendo é trabalhando com as duas possibilidades.”
Belinali lembrou que a situação da empresa vem se agravando há muitos anos e que é preciso encontrar uma solução definitiva. “O que ninguém resolveu ao longo dos anos, vamos ter que resolver agora.”
DEZ DE DEZEMBRO
O prefeito diz que o projeto de lei descarta a possibilidade de a empresa aceitar a proposta da SPE (Sociedade de Propósito Específica) Dez de Dezembro, criada por acionistas minoritários da Sercomtel para investir R$ 120 milhões na operadora. Como tem uma pequena cota das ações ordinárias, a SPE entende que pode fazer uma capitalização sem licitação. “Vamos fazer da forma mais transparente. Tem de passar por leilão”, diz o prefeito.
A reportagem tentou contato com os representantes da Dez de Dezembro, mas não conseguiu localizá-los.
REUNIÃO PÚBLICA
A Comissão Especial de Acompanhamento do Processo de Caducidade da Sercomtel na Câmara Municipal realiza nesta sexta-feira (12) uma reunião pública para discutir a situação da empresa. Foram convidados, além da diretoria da operadora, os sócios majoritários (Prefeitura e Copel) e os minoritários, entre eles a Dez de Dezembro. Também foi convidada a Anatel, que será representada pelo superintendente de Controle de Obrigações, Carlos Baigorri. A reunião começa às 14 horas, no plenário da Câmara.


