Projeto de Polo Tecnológico do Agro inclui complexo de R$ 1,8 mi
Proposta prevê instalação no Parque Ney Braga, com espaços para coworking, incubadora, aceleradoras, condomínio de empresas, laboratórios de apoio, entre outros
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 25 de setembro de 2019
Proposta prevê instalação no Parque Ney Braga, com espaços para coworking, incubadora, aceleradoras, condomínio de empresas, laboratórios de apoio, entre outros
Mie Francine Chiba - Grupo Folha 

No início de setembro, uma comitiva londrinense foi a Brasília (DF) entregar à ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, o projeto final do Polo Tecnológico do Agronegócio em Londrina, anunciado pela ministra na última edição da ExpoLondrina.
O projeto final também já foi apresentado para o MCTIC (Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações) e para a ABDI (Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial), mas uma nova reunião será marcada com a Agência devido à saída do presidente na época, Guto Ferreira.
O projeto define um polo como um “ambiente industrial e tecnológico caracterizado pela presença dominante de micros, pequenas e médias empresas com áreas correlatas de atuação em determinado espaço geográfico, com vínculos operacionais com ICT, recursos humanos, laboratórios e equipamentos organizados e com predisposição ao intercâmbio entre os entes envolvidos para consolidação, marketing e comercialização de novas tecnologias.”
Segundo Lucas Ferreira Lima, gestor estratégico de startups do Sebrae/PR, o Polo Tecnológico do Agronegócio foi uma demanda que surgiu do próprio Ministério. “Depois disso, a sociedade civil organizada, por meio da SRP (Sociedade Rural do Paraná), com o apoio do Sebrae e outras entidades ajudaram na construção do projeto que foi entregue para o Ministério.”
Conforme a deputada federal Luisa Canziani, que liderou a discussão da instalação do Polo na cidade, o projeto já vem sendo construído há um tempo com a orientação de ministérios e agências nacionais para que se possa garantir a implementação e a autossuficiência do projeto.
Para a sua execução, será necessário um investimento de R$ 1,8 milhão para a construção de uma infraestrutura física que irá compor o Complexo de Inovação, Desenvolvimento e Tecnologia do Agronegócio. O complexo ficará no Parque de Exposições Ney Braga.
O projeto do Complexo de Inovação, Desenvolvimento e Tecnologia do Agronegócio prevê 11 mil metros quadrados de construção, além de espaços abertos e adjacentes como um estacionamento privativo, área verde (ambientes naturais) e espaços para empresas e instituições âncoras das áreas do agronegócio e de suas transversais como o metalmecânico, de TIC (Tecnologia da Informação e de Comunicação), Químico e Serviços.
De acordo com o projeto apresentado pela comitiva, o complexo terá uma área comum, com infraestrutura de alimentação, hall de entrada, anfiteatro e espaços para estudo e aprendizado; setor administrativo e de apoio geral e área de convivência e aprendizagem; um espaço para coworking e espaços colaborativos; uma área destinada a uma incubadora; um local para aceleradoras; um Condomínio de Empresas; e um espaço para laboratórios de apoio de áreas como Biologia, Biotecnologia, Nanotecnologia, IoT, Análise de Imagem, Big Data, Inteligência Artificial e Sensoriamento.
“O complexo de inovação ficará localizado na Avenida Tiradentes 6275, Marginal da BR-369, e poderão acomodar globalmente empresas, instituições de pesquisa e startups de base tecnológica, considerando-se todos os estágios de desenvolvimento – Coworking, Incubadora, Aceleradoras e Condomínio de Empresas”, diz o projeto.
O prazo de execução estimado é de 24 meses e a proposta é que o investimento total necessário – financeira e econômica -, de R$ 1,8 milhão, seja viabilizado por meio do Mapa e do MCTIC (47%); pela SRP (Sociedade Rural do Paraná) e pela Agrovalley (23%); pela ABDI e pelo MDIC (Ministério da Economia, Indústria, Comércio Exterior e Serviços) – 16% -; e por entidades de fomento como Finep, Fundação Araucária, BRDE e emendas (14%).
Lançamento
Conforme a comitiva que foi à Brasília para a entrega do projeto final do Polo Tecnológico do Agronegócio, o lançamento oficial do Polo deverá ser feito pela própria ministra durante sua visita a Londrina para o Agrobit 2019, que acontece nos dias 12 e 13 de novembro. “Existe já um comprometimento do Ministério em chancelar, no dia 12 de novembro, na abertura do Agrobit, Londrina como primeiro polo tecnológico do agro no Brasil”, disse Ferreira Lima, do Sebrae/PR.
MAPA VÊ APORTE DE RECURSOS FINANCEIROS COM PREOCUPAÇÃO
Em resposta à FOLHA, a assessoria de imprensa do Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) garantiu o apoio institucional ao projeto do Complexo de Inovação, Desenvolvimento e Tecnologia do Agronegócio, mas afirmou ver com preocupação “a previsão de aporte de recursos financeiros elencados no bojo desse Projeto por parte deste Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento em decorrência dos sucessivos cortes orçamentários impostos neste exercício aos órgãos da Administração Direta e demais instituições”. Além disso, disse que o projeto apresentado “encontra-se sob análise pelas áreas competentes do Mapa”.
A assessoria de imprensa do MCTIC (Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações) afirmou que a área técnica do ministério ainda não tem informações sobre o projeto, e explicou que é essa área a responsável por emitir um parecer que vai subsidiar a decisão do ministro.
Conforme a deputada Luisa Canziani, o projeto deverá ser viabilizado por meio de emendas parlamentares. “A destinação de emendas parlamentares é um consenso entre entes e será a principal fonte de recursos para o projeto. A deputada federal se compromete não só em destinar emendas individuais, mas também em pleitear emendas de bancada”, assegurou a assessoria de imprensa da deputada.
“A ministra (do Mapa) está animada com o projeto. É um case para o Brasil e ela quer replicar em outros lugares do País”, disse Canziani, em entrevista. O MCTIC também teria se mostrado receptivo ao projeto. “Há o compromisso dos dois ministérios de viabilizarem o polo.” A deputada se diz ainda otimista sobre o apoio da ABDI, mesmo com a saída de Guto Ferreira como presidente.
Ferreira Lima, do Sebrae/PR, explica que o cronograma de execução do projeto, bem como o investimento necessário, ainda não estão totalmente definidos, mas que já existem estratégias para buscar recursos por diversos meios. “Existe toda uma estratégia da cidade para a captação de recursos públicos e privados que consigam concretizar o que está sendo proposto. Próprio recurso público vindo de emendas parlamentares, recurso do MCTIC, também há uma iniciativa de captação de recursos privados, então isso (corte de recursos orçamentários do governo) não é uma preocupação para a cidade, pois a chancela e o apoio institucional do Mapa nos certifica a buscar esse recurso por outros meios.”
Antônio Sampaio, presidente da SRP, se diz convencido de que a implantação do Polo Tecnológico do Agronegócio em Londrina se tornará realidade. “Temos uma condição ímpar aqui. Estamos em uma região onde temos inteligência em instituições como Embrapa, Iapar, Esalq, universidades, temos a segunda maior produção de grãos do País, várias culturas e criações.” A SRP fará aporte financeiro e cederá espaço do Parque Ney Braga em regime de comodato para a construção do Complexo. Também proverá serviços e atuará na organização das atividades do Polo.


