Curitiba A Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) quer que a Câmara dos Deputados retire da pauta o Projeto de Lei 285 de 1999, previsto para ser votado amanhã. O projeto define novos limites geográficos para a Mata Atlântica em todo o Brasil, o que pode inviabilizar a produção agrícola. Pelos cálculos da Fiep, a proposta em votação faz com que a Mata Atlântica, que hoje ocupa 10% da área do Paraná, seja ampliada para 95% do território estadual.
A diretoria da Fiep se reuniu ontem com deputados federais para apresentar o pedido. A entidade também vai encaminhar documentos sobre o assunto ao governador Roberto Requião (PMDB) e convocar a Confederação Nacional da Indústria (CNI) para impedir a votação.
O projeto está tramitando na Câmara desde 1992 e já sofreu várias modificações. Mas o presidente da Fiep, Rodrigo Rocha Loures, diz que é necessário analisar o impacto sobre a economia local e reavaliar o total da área que deve ser protegida. ''Queremos retirar o projeto da pauta porque não há estudos suficientes para a discussão dessa lei e das consequências que ela vai trazer. Os impactos vão comprometer toda a atividade econômica e afetar o nível de emprego do Paraná'', afirmou, através da assessoria de imprensa.
O projeto de lei considera como Mata Atlântica até mesmo as florestas de Araucárias, manguezais, cerrado e as áreas de divisa entre as diferentes florestas. A autoria é do então deputado federal Jaques Wagner (PT-BA), hoje ministro do Trabalho. Um documento do PT defende o texto e diz que o projeto contém vários dispositivos que garantem a ''viabilidade econômica das áreas preservadas sem esquecer das populações tradicionais e dos pequenos produtores que ali residem''. As entidades ambientais defendem o projeto.
O deputado federal Luciano Pizzato (PFL), relator do substitutivo ao projeto que será levado à votação, disse que as atividades econômicas não terão prejuízo nenhum. Ele disse que a única restrição são com as áreas de mata nativa ou em estágio avançado de regeneração. ''É uma situação mais favorável do que a que temos atualmente e que deixa claro o que pode ou não ser feito'', afirmou. Para ele, independentemente do interior do Paraná possuir vegetação diferente da mata atlântica, é importante aprovar uma lei válida para todos os territórios. Ele reclamou ainda que não foi convidado a participar da reunião na Fiep, na qual compareceram Eduardo Sciarra (PFL), Max Rosenmann (PMDB) e Cézar Silvestri (PPS).

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