Quem já se irritou com a demora de atendimento dos bancos deve estar torcendo para o sancionamento de um projeto de lei do deputado Ademar Traiano (PSDB), que está na mesa do governador Jaime Lerner (PFL). Pela lei, serão estabelecidos limites de espera nas filas de instituições bancárias e supermercados, inclusive estabelecendo sanções, como multas.
Por enquanto, o governador não sinalizou se vai sancionar em breve a lei. Mas, projetos como o de Traiano, que foi aprovado na última quarta-feira na Assembléia Legislativa, já foram implantados em algumas cidades do Paraná, como Maringá. Recentemente, foi a vez do prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi (PFL), sancionar lei similar.
Segundo a nova lei municipal, a partir de 22 de janeiro, o tempo máximo de espera nas filas de bancos não deve ultrapassar mais do que 20 minutos. Esse tempo é um pouco maior nas vésperas e nos dias seguintes a feriados prolongados ou dias de pagamento do funcionalismo público municipal, estadual e federal, quando o atendimento poderá demorar até 30 minutos.
Nos próximos 60 dias, os bancos vão ter tempo de se adequar à nova legislação. Com isso, não vão acontecer disabores como o registrado com o secretário da Justiça, Pretextato Taborda Ribas, que foi obrigado a acionar o Procon para ser atendimento mais rapidamente no posto bancário do Itaú, que fica dentro do Palácio Iguaçu.
Porém, como nem todo mundo tem o poder de mobilizar o Procon (ainda mais quando o órgão é subordinado ao comando do secretário, como aconteceu com Taborda), a melhor solução é a implantação de lei estadual que possibilite direitos iguais a todos os cidadãos.
Uma das pessoas que seriam beneficiadas com o sistema é o office-boy Adaílton Ferreira, 17 anos, que trabalha em uma empresa de contabilidade. Das seis horas de expediente diário, ele acredita que gasta pelo menos metade em filas de bancos ou em atendimento em repartições públicas. ''Se os bancos forem mais rápidos, não vou ter que ficar em pé por tanto tempo'', disse.
No entanto, a proposta de lei que regulamenta o tempo de atendimento não é vista com bons olhos pela Federação Brasileira dos Bancos (Febraban). A entidade já acionou judicialmente as cidades do Interior do Estado que já têm lei neste sentido.
Uma das razões é que a entidade pode ser obrigada a contratar novos funcionários. Estimativas do Sindicato dos Bancários de Curitiba e Região Metropolitana apontam que para cumprir a lei seria preciso aumentar entre 10% a 15% o número de funcionários apenas nas 366 agências de Curitiba.

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