Projeto de encerramento do Bamerindus é pioneiro
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sexta-feira, 24 de abril de 2009
Fernanda Mazzini<br> Reportagem Local 
O projeto para encerramento da liquidação extrajudicial do Banco Bamerindus, proposto ao Banco Central (BC) pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC, entidade privada que tem como filiados bancos e financeiras), é o primeiro da entidade e poderá ser utilizado como parâmetro para processos semelhantes de outros bancos, como os extintos Banorte e Econômico. Segundo Antônio Carlos Bueno, diretor-executivo do FGC, o BC confirmou ontem ter acatado o projeto preliminar. Agora, a próxima fase é a elaboração do projeto final, que deve ser concluído em até 90 dias. Em seguida começam os pagamentos dos credores.
A estimativa é que o Bamerindus tenha menos de mil pessoas, entre os credores majoritários, e cerca de 53,4 mil acionistas minoritários. No entanto, apenas 1,5 mil minoritários haviam impetrado ação judicial para receber as perdas acarretadas pelo processo de liquidação. O roteiro do projeto final será elaborado pelo FGC a partir da próxima semana. Entre os trâmites está a realização de diligências, levantamento dos ativos e passivos da instituição e finalização das questões jurídicas. Bueno adiantou que já foram mantidas conversações com credores e acionistas.
O FGC está interessado no projeto porque é o maior credor do Bamerindus, cujo valor do débito é de cerca R$ 4,9 bilhões. No entanto, Bueno ressalva que o BC é o credor preferencial, com uma dívida a receber de R$ 2,8 bilhões. Anteontem, em entrevista à FOLHA, o presidente da Associação dos Acionistas Minoritários do Banco Bamerindus, Euclides Nascimento Ribas, disse que os minoritários poderiam receber juntos entre R$ 250 milhões e R$ 280 milhões. No entanto, esses valores não foram confirmados.
''É prematuro falar em valores até para não gerar expectativas. Há uma série de variáveis (como ativos e passivos) que ainda têm que ser apurados. O valor total pode surpreender, tanto positivamente como negativamente'', afirma o presidente da FGC. Ele acrescenta que nem mesmo a entidade deverá receber o valor total do seu crédito. A estimativa é que a FGC fique com cerca de R$ 1,2 bilhão, cerca de um quarto do total do débito. ''Mas tudo será feito com a maior transparência e imparcialidade. Entramos para apaziguar'', garante. Bueno também não confirmou o valor dos créditos fiscais pertencentes ao Bamerindus, estimados em R$ 6 bilhões.
A reportagem procurou o Banco Central, mas a assessoria de imprensa informou apenas que a diretoria da instituição havia tomado conhecimento do projeto preliminar de liquidação extrajudicial do Banco Bamerindus proposto pelo FGC. A assessoria preferiu não confirmar a informação de que o BC havia acatado a proposta.


